Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

terça-feira, 10 de junho de 2014

A corte na aldeia


Cidade da Guarda, Jorge Carmo


Este é o tempo
Este é o tempo 
Da selva mais obscura 

Até o ar azul se tornou grades 
E a luz do sol se tornou impura 

Esta é a noite 
Densa de chacais 
Pesada de amargura 

Este é o tempo em que os homens renunciam. 


Sophia de Mello Breyner
in Mar Novo (1958)


Nasci no ano em que Sophia olhou em redor e escreveu, inspirada, esse poema intemporal. Hoje, ele recupera a sua conotação imensa e numa miríade de significações ajusta-se à realidade que vivemos. 
Não vos falo de política ou de religião, mas tão somente de uma amargura colectiva na qual a dignidade da vida humana se perde em cada dia.  
Oxalá os homens não renunciem!



11 comentários:

Eduardo Maria Nunes disse...

Não basta só dizer, é preciso concretizar, é preciso semear para colher. Não percamos a esperança, está muito em voga, e o resto se mais nada tivermos, como é que podemos viver só com a esperança? Oxalá não nos faltes agora pelos menos o mínino de condições para podermos ter um futuro melhor! Desejo amiga Ana, uma boa noite para Você, um beijo.

Rogerio G. V. Pereira disse...

Intemporal até hoje, talvez até amanhã, ou até depois. Mas Sophia que descanse, seremos incansáveis para que venha a ser um poema datado: Aquele foi o tempo Da selva mais obscura

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

Sob aparentes desistências, permanece a tenacidade de nos afirmarmos sempre...

beijo amigo

© Piedade Araújo Sol disse...

sim é um poema intemporal...

:)

Bípede Implume disse...

Querida Aninha
Dias, noites, tempos densos de chacais.
Tão actual este poema, infelizmente.
Esperemos que a democracia vença.
Beijinhos de muita amizade.

Lídia Borges disse...


Comovente!

Porque há marcas de Identidade, de uma Identidade sã, que parece arredada de nós, hoje, fazendo-nos outros...

Reagir é possível!

Um beijo

M D Roque disse...

Profundo e cósmico, daquele lugar onde o tempo não sabe o que o tempo é.
Adorei.
Beijo. D

http://acontarvindodoceu.blogspot.pt

Fê blue bird disse...

Amiga Ana é dela também este poema:


Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.

Oxalá os homens não percam a capacidade de sonhar !

Beijinho

Graça Pires disse...

São sempre intemporais os poemas de Sophia. E tens razão: este justifica-se neste tempo de "amargura colectiva". Obrigada, Ana.
Um beijo.

Jorge disse...

Olá,Ana!
Inspirador e intemporal é este poema de Sofia. Não a queiramos desiludir.
A esperança é a única cois mais forte que o medo.Um pouco de esperança é eficiente. Muita esperança é perigoso.
Bj
Jorge

São disse...

Pois, oxalá não renunciem(os), mas os sinais não são nada animadores e penso que ou enfrentamos seriamente o que se está a passar na Europa e em Portugal ou corremos mesmo o risco da História se repetir!!


Minha amiga, bom fim de dia.