Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

terça-feira, 25 de outubro de 2011

É tarde


Benito Ramos, pintor chileno


Era sereno o ódio e calada a mentira!
Eram serenas as manhãs...
E os beijos orvalhados
Eram serenos!
Havia um sorriso de nada
No silêncio a que o fogo obriga.
Era o teu sorriso, Pai...
Nada! Era tanta coisa feita de Nada!
Tu, o que eras, Pai?
Um pensamento que fustiga...
E eu? O fruto verde da intriga!
Bem sei...tu passavas
E, se olhavas o verde pálido...
Havia no teu olhar um anoitecer cálido.
E confessas ousadamente,
O que recusaste cobardemente!
É tarde. Tão tarde...
Que a dor já não arde.
É tão tarde que minto
Naquilo que porventura sinto.


Ana

21 comentários:

Andradarte disse...

Que bonito Ana.....diria eu....uma
eterna presente saudade..
Beijo

Jorge disse...

Bonito poema, que espelha que no mais fundo de nós estamos sòzinhos.

JPD disse...

Boa noite, Ana

Este é um dos poemas mais brilhantes que li.
Acho excelente.

Sinalizando os pontos que merecem atenção:

O relacionamento maduro entre pai e filho.
A compreensão dos recuos e avanços, as dúvidas e as certezas que marcam o quotidiano: os problemas e as soluções; o dito e o sentido; o verbalizado e o omitido...
O tempo
(Atrevo-me a acrescentar o O tempo e o modo».
A manobra.
As escolhas
A necessidade premente de seguir em frente, de assumir escolhas.

Excelente.
Bjs

christina disse...

Bonito,Ana!
Boa noite,beijinhos:

Bipede Implume disse...

Querida Aninha
Do meu pai, que era muito severo, recordo o melhor: aquela alegria genuína de um verdadeiro minhoto.
Desculpa, mas fizeste-me rir com a tua constipação, já ultrapassada. Ainda bem. Agora só falta a Sandra. Oxalá não.
Beijinho amiga.
Isabel

São disse...

Perder alguém é sempre triste...

Um abraço

Luma Rosa disse...

Mesmo que a verdade seja evidente, muitas vezes se sobrevive de uma mentira. Oi, entendi errado? Beijus,

Luma Rosa disse...

Da outra vez que cá estive, não havia notado as mudanças no template. Ficaram ótimas!! + Beijus,

Guma Kimbanda disse...

Olá Ana,

Lendo e sentindo... O tão tarde que se fez.

Beijo e kandandos

Fê-blue bird disse...

Amiga Ana:
Nem sempre estas relações são as desejadas...a mentira sempre as suaviza.
Um poema lindo e profundamente comovente para quem se identifica nele como eu.

beijinhos

Sonhadora disse...

Minha querida

Não tenho palavras para comentar algo tão sublime como este poema, feito de saudade por dizer...de sentimentos que ficaram entre a boca e o gesto.
Também tenho presas nos meus dedos tantas palavras e tantos gestos que não irei fazer nem dizer.

Deixo o meu beijinho com carinho
Sonhadora

Sansell disse...

Professora, as lágrimas que derramo são de verdade ou mentira?

acácia rubra disse...

Ana

Gostei muito. Não pude deixar de me comover.

É sempre tão tarde...

Beijo

Olinda Melo disse...

Posso dizer que nunca é tarde? Uma expressão gasta que soa a oco.Contudo, consola-nos dizer que nunca é tarde, que tudo tem conserto...

Poema lindo! É por isso que admiro tanto esta Rara Avis.

Bj

Olinda

Bipede Implume disse...

Querida Aninha
Também me esqueci de dizer que lindo que está o template.
Tal como disse a Sandra está constipada.
E, por último, um bom fim de semana. Beijinhos
Isabel

São disse...

Esperando noas, deixo voto de felzi fim de semana no meu abraço.

Sonhadora disse...

Minha querida

Passando para deixar um beijinho e desejar uma boa semana.

Sonhadora

BlueShell disse...

Lindíssimo...embora um pouco triste...mas isso não lhe retira a beleza: senti cada palavra...e pensei cada verso...
me revi nesses sentires e chorei...

Um beijo

Nilson Barcelli disse...

Este teu poema é inquietante, mas ao mesmo tempo magnífico.
"É tarde. Tão tarde...
Que a dor já não arde.
É tão tarde que minto..."
Gostei imenso.
Beijos, querida amiga Ana.

Bipede Implume disse...

Querida Aninha
Tudo bem?
Deixo beijinhos.
Isabel

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá Ana, belo poema...Espectacular....
Cumprimentos