Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O Regresso

 


Judith Bergerson


Como quem, vindo de países distantes fora de
si, chega finalmente aonde sempre esteve
e encontra tudo no seu lugar,
o passado no passado, o presente no presente,
assim chega o viajante à tardia idade
em que se confundem ele e o caminho.

Então entra pela primeira vez na sua casa
e deita-se pela primeira vez na sua cama.
Para trás ficaram portos, ilhas, lembranças,
cidades, estações do ano.
E come agora por fim um pão primeiro
sem o sabor de palavras estrangeiras na boca.

Manuel António Pina (1943-2012)
Como se Desenha uma Casa
(livro também integrado na antologia Todas as Palavras)


Meus amigos, que o ano novo (que teima em envelhecer-nos) nos traga saúde.

3 comentários:

Maria João Brito de Sousa disse...

Bem regressada seja, Ana!

Obrigada pela partilha deste belíssimo poema de Manuel António Pina.

Um beijo

Majo Dutra disse...

Estimada Amiga, que belo é o poema! Obrigada.
Que 2026 suceda como deseja, com saúde, paz e alegrias.
Mesmo em Portugal está muito frio!
Beijinhos
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chica disse...

Muito lindo essa poesia,Ana! Bela partilha!
Que seja lindo pra ti também o novo ano que já correndo está!
beijos, tudo de bom,chica