![]() |
| Care.org - Sudão |
Um pardal com saudades de seu lar,
Empoleira-se na janela do coração;
seus olhos têm anseio,
Ele se estica para olhar as casas,
Nos céus distantes,
Esperando por uma manhã alegre,
Carregada de promessas,
Para pousar como um turbante,
Nos ombros de sua pátria.
Com cada golpe nós mergulhamos em um abismo escuro,
A junta de pés pesados sitia nossas canções,
Agitam nosso tinteiro, confiscam sua paz interior.
Eles envenenam nossa alegre primavera,
E colocam seus focinhos em tudo.
Mais um sonho agradável eles desfiguram,
Aos olhos de cada mãe.
Mas eles não conseguem nos silenciar.
Nunca.
Em suas celas bebemos,
o xarope da perseverança,
Para permanecermos,
firmes e corajosos.
Ó meus tempos de prisão,
Ó minhas dores,
de saudade
e de tormento,
Se eu perder o contato com você,
Quem, neste tempo de coerção, eu seria?
Se eu perder contato com você eu vou trair,
Os pequeninos que ainda estão por vir,
Se eu perder o contato com você,
Vaidoso e egocêntrico eu me tornarei.
Enquanto eu tiver uma voz em meus acordes,
Que prisão — ou mesmo a morte — pode me silenciar?
Não.
Jamais sucumbiremos.
Eles não têm nada a dizer
Quanto ao nosso destino.
Não, eles não têm!
Somos nós que trazemos a vida
Aos poros mortos da dormência.
Minha querida,
minha companheira de vida,
No mais alto respeito, sempre te manterei.
Ó minhas amadas filhas,
Aninhadas à sombra das pessoas gentis.
Ó espaço luminoso ainda ao alcance dos olhos:
Aqueça-me com suas saudações pacíficas,
Com suas cartas.
Dê minhas saudações aos meus pares;
Dê minhas saudações às nuvens;
Dê minhas saudações à terra;
Dê minhas saudações à multidão;
E às palavras de romance,
Nos cadernos da juventude.
Mahjoub Sharif, poeta do Sudão (tradução de Raad Abdullah Ferreira)



