Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165
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sábado, 9 de março de 2024

Nunca

 

Care.org - Sudão


Um pardal com saudades de seu lar,
Empoleira-se na janela do coração;
seus olhos têm anseio,
Ele se estica para olhar as casas,
Nos céus distantes,
Esperando por uma manhã alegre,
Carregada de promessas,
Para pousar como um turbante,
Nos ombros de sua pátria.

Com cada golpe nós mergulhamos em um abismo escuro,
A junta de pés pesados ​​sitia nossas canções,
Agitam nosso tinteiro, confiscam sua paz interior.

Eles envenenam nossa alegre primavera,
E colocam seus focinhos em tudo.

Mais um sonho agradável eles desfiguram,
Aos olhos de cada mãe.
Mas eles não conseguem nos silenciar.

Nunca.

Em suas celas bebemos,
o xarope da perseverança,
Para permanecermos,
firmes e corajosos.

Ó meus tempos de prisão,
Ó minhas dores,
de saudade
e de tormento,
Se eu perder o contato com você,
Quem, neste tempo de coerção, eu seria?

Se eu perder contato com você eu vou trair,
Os pequeninos que ainda estão por vir,
Se eu perder o contato com você,
Vaidoso e egocêntrico eu me tornarei.

Enquanto eu tiver uma voz em meus acordes,
Que prisão — ou mesmo a morte — pode me silenciar?

Não.
Jamais sucumbiremos.

Eles não têm nada a dizer
Quanto ao nosso destino.

Não, eles não têm!
Somos nós que trazemos a vida
Aos poros mortos da dormência.

Minha querida,
minha companheira de vida,
No mais alto respeito, sempre te manterei.

Ó minhas amadas filhas,
Aninhadas à sombra das pessoas gentis.

Ó espaço luminoso ainda ao alcance dos olhos:
Aqueça-me com suas saudações pacíficas,
Com suas cartas.

Dê minhas saudações aos meus pares;
Dê minhas saudações às nuvens;
Dê minhas saudações à terra;
Dê minhas saudações à multidão;
E às palavras de romance,
Nos cadernos da juventude.


Mahjoub Sharif, poeta do Sudão (tradução de Raad Abdullah Ferreira)



ONU








segunda-feira, 7 de julho de 2008

MULHERES QUE ESCREVEM, MULHERES QUE LÊEM

Arte Barroca, estilo laudatório
*
Mulheres que Escrevem
Mulheres Que Lêem
(Repensar a Lieratura Pelo Género)
*
Este é o título de uma obra organizada por Catarina EDFELDT e Anabela GALHARDO. Trata-se de uma antologia com dupla face: literária e crítica. No plano literário reencontramos: Nélida Piñon; Soror Violante do Céu, Clarice Lispector e Agustina Bessa-Luís; no plano crítico encontramos interessantes abordagens da autoria de: Chatarina Edfeldt, Anabela Galhardo Couto, Fátima Silva, Ana Maria Ferreira e Teresa Joaquim.
Encontro magnífico entre o passado e o presente, dando voz a alguns silêncios que o registo literário insiste em manter - esse, de uma linguagem das mulheres.
Eu, que o fado fez nascer no Ocidente e que pertenço a uma geração que se afirma sem estigmas, bem recordo que, mesmo de Agustina, se disse que: escreve como um homem. Não que possa contestar o douto letrado que o afirmou ou que veja nisso uma menoridade, mas que, sem feminismos balofos, todas e todos sabemos que a nossa riqueza é a diversidade dos discursos. Já o sabia, no século XVII, Soror Violante do Céu:« Contradizer a um Doutor / bem sei que é temeridade».

Soneto
Violante do Céu
Que suspensão, que enleio, que cuidado
É este meu, tirano Cupido?
Pois tirando-me enfim todo o sentido
Me deixa o sentimento duplicado.
*
Absorta no rigor de um duro fado,
Tanto de meus sentidos me divido,
Que tenho só de vida o bem sentido
E tenho já de morte o mal logrado.
*
Enlevo-me no dano que me ofende,
Suspendo-me na causa de meu pranto
Mas meu mal (ai de mim!) não se suspende.
*
Ó cesse, cesse, amor, tão raro encanto
Que para que de ti não se defende
Basta menos rigor, não rigor tanto.
*
(Antologia da Poesia do Período Barroco, Moraes Editores, 1982 - Lisboa, Portugal)
*
CARAVAGGIO, Baco Adolescente
*Obrigada professora Anna Hatherly, por me ajudar a conhecer algumas «sorores» e obrigada marido, porque me fizeste conhecer o trabalho desse grupo de investigadoras e de investigadores que se ocupa das «mulheres».

domingo, 6 de abril de 2008

Mulheres

Atravessaram o silêncio da História e carregaram o peso dos dias. Amaram, choraram e foram o repositório secreto da esperança. Serviram a arte, construíram microcosmos de harmonia. Trabalharam até ao limite e ficaram sós olhando o futuro...
Vozes no silêncio, pedras angulares do futuro.



Ana

Women in Art