Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

domingo, 31 de maio de 2026

Despertemos! (Republicação)

 





    As alegrias são breves - como no soberbo título de Vergílio Ferreira -  e sobre isso não nos restam dúvidas.
Assim foi, feliz de ter torneado o meu problema ocular mais uma vez, eis-me atacada pela minha primeira infecção por covid19. Irónico, não é?
    Numa das idas à capital (que em bom rigor, dizem-me, ainda é Coimbra), lá percorri a Feira do Livro de Lisboa e me actualizei de mais umas novidades. Entre elas, este admirável livro ou manifesto do centenário Edgar Morin que, há dias, completou 103 anos e continua senhor de uma lucidez e de uma capacidade de síntese mental extraordinárias.
    Uma obra que prova bem como a linguagem da esperança nunca se deverá perder. Uma obra que desdiz esta sociedade fútil submetida ao deus da Economia e do individualismo na qual o preconceito designado por "idadismo" se tornou omnipresente - Tanto no trabalho, como nas relações sociais.
    Certo que tenho a mesma ascendência étnica, certo que penso como ele até sobre esse facto:


""Os judeus de Israel, descendentes das vítimas de um apartheid denominado ghetto, guetificam os palestinianos. Os judeus que foram humilhados, desprezados, perseguidos, humilham, desprezam e perseguem os palestinianos. Os judeus, que foram vítimas de uma ordem impiedosa, impõem a sua ordem impiedosa aos palestinianos. Os judeus, vítimas da desumanidade, mostram uma terrível desumanidade." (WIKI)

    Admiro-o na lição de sabedoria que esta obra contém, pois é difícil manter a esperança no mundo que habitamos. Despertemos! do sonambulismo geral em que parecemos viver, enquanto o mundo se transforma.

    
    Em 2024, aqui deixei este "post", hoje reafirmo a minha admiração por este homem lúcido que, agora, nos deixa mais pobres, no nosso percurso para uma Humanidade que declina e mergulha num caos de guerras e ganâncias várias.


Sugestão de leitura.




segunda-feira, 25 de maio de 2026

A Moleirinha



Com teias de luz e de silêncio,

Ao Sol ardente, tecia o seu sonho.

E dedos de vento moíam, moíam...

Grãos de vida na fímbria da Lua.


Sua tez trigueira, madura em grão,

Ao Sol poente, por veredas corria.

E dedos de vento moíam, moíam!

Trigo dos dias, na roda  e em vão...


Menina, ainda, fermento de vidas;

Mulher, que sonhas, que findas?

Flora, na planura deste mar arável!

Amável velhinha, no moinho dos dias.


E dedos de vento moíam, moíam...

Grãos de vida na fímbria da Lua.


                                             Ana Tapadas


Nota: não estive presente, pois a minha Madalena fez os seus cinco aninhos e, por isso, rumei a Alvor. As minhas palavras, essas, estiveram na celebração de um tempo passado próximo.


sábado, 9 de maio de 2026

Sinais de ruína

 

A Torre das Águias foi edificada na extinta Vila das Águias, um aglomerado urbano que em 1361 se constituiu como sede de concelho, criado por D. Pedro I .




Ana Tapadas, in, O VOO DAS ÁGUAS, Edições Toth, 2025




Foi construída por volta de 1520 por D. Nuno Manuel, um alto funcionário do rei D. Manuel I, e apresenta um estilo Manuelino.


Vista a partir do alto da Torre


Interior da Torre das Águias (chão coberto de dejectos)


Classificação patrimonial: https://imovel.patrimoniocultural.gov.pt/detalhes.php?code=70383



        Como é possível que o Património histórico atinja este grau de ruína? Visitá-lo nem sequer é fácil, apenas a autorização dos proprietários do terreno nos possibilitou o acesso.

    

    Vivemos, de facto, na "sociedade do espectáculo", onde as verbas se perdem naquilo a que os romanos chamavam de "pão e circo".


    

"Localiza-se na povoação de Águias, vizinha ao rio Divor e ao santuário de Nossa Senhora das Brotas, integrava a chamada vila das Águias, da qual ainda subsistem algumas casas. É um dos exemplares mais significativos de torre manuelinas na região. Classificada como Monumento Nacional, em 1910. "

Ex-libris da página da autarquia de Mora?!
Sim, mas a propriedade é privada, tem portão de ferro e para o caminho precisa ter uma viatura 4 vezes 4.

                                 https://www.visitmora.pt/pontointeresse/torre-das-aguias/


Cá fica a sugestão de leitura que se impõe: