Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165
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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Disrupturas

Foz do Minho - José Aves, 2019

Contemplamos, quase sempre, a outra margem...




Foz do Minho - José Alves, 2019

Nesta, ancoramos os nossos barcos.


Caminha - José Alves, 2019

Quem te enganou e te disse que as águas são azuis?


Tel Aviv, 2019

Quem te ensinou e te disse que os contrários se atraem e conciliam?


Ponte de Lima, 2019


Julgas que esta vila é de um conservadorismo e religiosidade ímpares?



Ponte de Lima, 2019


Acredita, a disruptura instala-se em qualquer parte!



Ponte de Lima, 2019


Nunca acredites nas aparências. O logro está em qualquer lugar. 


Ajuíza e sê justo.





segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Ancoraram

Tel  Aviv - José Alves, 2019


Ancoraram os homens
nas pétalas dos sonhos
Frágeis e alegres
sorriram ao ocaso
Ancoraram os homens
nas madrugadas
Escutaram o rumor 
na distância dos mares
e frenéticos correram
Sem rumo e ao acaso

Ana


quarta-feira, 17 de abril de 2019

Tu tens um medo

Gerânio - 2019 


Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.


Cecília Meireles




Gerânio, 2019


PÁSCOA TRANQUILA!



(Vieram de Creta, os meus gerânios.)


sábado, 13 de abril de 2019

Rebeldes...

José Alves, 2019



Quem te disse que envelheci? Rebeldes como nós conhecem todos os caminhos. Têm a resiliência do «antes quebrar que torcer»...não me fales da novilíngua, nem dos medos emergentes. A planície é vasta e todos os lugares estão próximos, pois a distância não nos intimida. Vamos por ali, retemperemos o fôlego que a miragem é enganadora! 



José Alves, estevas - 2019


Agrestes os lugares, belezas livres e luminosas. A Primavera rebenta, os odores limpam-nos a memória dos dias gradeados. O esforço físico recorda-nos o lugar a que pertencemos. Aqui, morreremos de pé, conhecendo o valor de cada vida humana e o tesouro que cada um transporta para o futuro. 
Rebeldes seremos. É o nosso desígnio.

Ana 

domingo, 3 de março de 2019

Prenúncios da desconformidade...





São Pedro de Moel, 2019

AINDA NÃO É VERÃO!



Vila Velha de Ródão, 2019


JÁ FOI VERÃO!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Cultivo

Fevereiro, 2019
Ainda aí estão as promessas e os sonhos adormecidos. Acredita!

Fevereiro, 2019
Ainda aí estão as flores, apesar da invernia seca e da exótica dispersão. 

Fevereiro, 2019
E os ancestrais lírios de uma evocação benigna e justa...

Fevereiro, 2019
E as rosas, do meu Amor impoluto e fraterno, que à Humanidade me consagra.

Fevereiro, 2019
Ainda que na distância atroem os  ecos de vozes perseguidas e silenciadas...

Fevereiro, 2019
E ignoradas as muralhas que se constroem sobre o deserto da justiça tão amada...

Fevereiro, 2019
Não me digas que as redes te cercam e que o silêncio te embala!

Fevereiro, 2019
Um grito se ergue, no desespero do olhar dos lacerados...

Fevereiro, 2019
E a coragem, humana como um rio, cresce na tua indignação!


Ana


domingo, 17 de fevereiro de 2019

Relatório


Ponte de Sor, 2019


Caminho pela rua. Primavera súbita. Listagens caleidoscópicas que perturbam o olhar cansado do dia. Mãe doente, paciente. Bóia de tantas vidas, eu sou, frágil e ágil, felina angústia que se anicha por detrás de um sorriso envelhecido. Inesgotável pasta repleta de testes esperançosos. Oitenta e uma vidas a quem o futuro foi prometido. Primavera súbita, sorrindo!

Ana

sábado, 8 de setembro de 2018

Há Lugares

Rio Limmat, 2018 - José Alves


Há lugares onde os rios não correm para o mar.


Suíça, 2018 - José Alves


Há lugares onde os  sonhos ancoraram e a diversidade se instalou.



Zurique, 2018 - José Alves


Há lugares a que retornamos quando o Amor nos impele.


Rio Limmat, 2018 - José Alves


Há lugares de um brilho que a chuva de Agosto não pode ofuscar.


Suíça, José Alves - 2018


Há lugares de um degelo tão puro que a vida principia.


Suíça, 2018 - José Alves


Há lugares de minúcia que nos beijam e acolhem.


Lago Zurique, 2018 - José Alves



Há lugares onde o fruto do nosso Amor se instalou.



domingo, 20 de maio de 2018

Reflexão do dia

José Alves -  Avis, 2018

Ao longe, o Sul assiste pasmado aos sucessos (acontecimentos) destes dias. 


sábado, 30 de setembro de 2017

Reflexão de véspera

Teatro de Dionísios, Atenas


Li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?
quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?
e então indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?
os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,
os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,
homens e mulheres perdem a aura
na usura,
na política,
no comércio,
na indústria,
dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,
trémulos objectos entrando e saindo
dos dez tão poucos dedos para tantos
objectos do mundo
e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega,
pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva,
e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,
palavra soprada a que forno com que fôlego,
que alguém perguntasse: tinha paixão?
afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia,
ponham muito alto a música e que eu dance,
fluido, infindável, apanhado por toda a luz antiga e moderna,
os cegos, os temperados, ah não, que ao menos me encontrasse a paixão
e eu me perdesse nela
a paixão grega.



Herberto Hélder.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Em ondas de luz

Ruínas do Parthenon grego, antigo templo - Acrópole - Atenas (José Alves, 2016))



Ecos na distância
atroam, perturbam
a primaveril fragrância
que a brisa nos traz

Vozes que clamam
na multidão, na turba
E
Na humana condição
há um ideal que conduz
aqueles que ainda chamam
a voz interior que os perturba

Em ecos de Luz
Caminho de Paz

Ana

sábado, 22 de abril de 2017

A Forma Justa

Acrópole de Atenas, Propileu - José Alves


Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo


Sophia de Mello Breyner Andresen, in O Nome das Coisas

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Algures

dez anos...



Voltei nessa brisa que tão fria passa,
Prenúncio de primaveras distantes.
E os sonhos dançam sob ameaça
De quentes Verões dilacerantes...
Todavia o oráculo, tão dúbio,
Trará de antanho a imagem baça
Deste zurzir, desde  o Danúbio,
Na longa linha que na Europa traça!
E, erguer-se-ão os gritos humanos
Nesse suão por que firmes ansiamos.


Ana



terça-feira, 15 de novembro de 2016

A Porta

 Através das portas do Propileus,  Acrópole de Atenas,  Grécia - 14/11/2016 (Alkis Konstantinidis/Reuters)





Por esse pórtico, amor, subimos um dia,
Quietos, serenos, ébrios de sonho.
Buscámos a paz íntima, a energia
Que apagasse o íngreme e o medonho
Peso de um quotidiano sem alegria...
Para nós, Péricles desenhou esta porta
E não para os vindouros do Peloponeso.
O eco  dos deuses ainda nos exorta
E o prumo continua recto e ileso!

Ana

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Trémulo azul



José Alves 

Trémulo azul
Inquieto infinito
Aberto na lava
Como ave
Como bruma
Soturna e luminosa
Como sonho
Como lume
Trémulo e azul
Desenho irreal
Traçado a gume
No humano granito


Ana




segunda-feira, 23 de maio de 2016

Oração poética


Pavia, José Alves


Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes;

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além.

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o amor tem asas de ouro. Amém.


Natália Correia


Nota: dias amarelos...o meu amarelo é alentejano e é ocre.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

O silêncio que grita

Montargil, José Alves

Espraio por ali o olhar. Alongam-se os dias sobre tardes azuis que escurecem lentamente. Gosto da lentidão plana, dos olhos que falam, dos lugares vazios, desta vaga angústia que me fala dos anos que passam e daqueles que partem...
Ânsias ruidosas assolam quotidianos febris.

José Alves


quinta-feira, 28 de abril de 2016

Os outros...




José Alves

A Primavera voltou, inexorável, ao meu jardim. 


José Alves

Na distância, a planície estende-se em ondas de amarelos asiáticos imperiais. 


José Alves

Passou mais de um ano após a tua partida súbita. Disseras que as glicínias estavam melhor podadas que nunca...era verdade. Neste ano tornaram a florir, belíssimas nos seus velhos troncos. 


José Alves

Também amo assim as flores, a Natureza em geral e, muito em particular, a humana. Não importa que os dias me cansem, me devorem cada hora num interminável labor. 


José Alves


E, agora, o Rara Avis  quase se silencia de duas em duas semanas. Pesado é o silêncio. O meu serviço são os outros. 

Ana




terça-feira, 8 de setembro de 2015

Abertura

Mar Egeu, José Alves

Transparência inquieta,
Alerta intranquilo...
Que o Mediterrâneo desperta,
Do húmus infecundo,
Mitos e lendas de azul imundo!
E aqueles que dormem
Emergem, ainda, do sonho profundo.

Ana



sábado, 27 de junho de 2015

Dies Irae

Alto Alentejo, José Alves


"A não-violência não consiste em renunciar a toda luta real contra o mal. A não-violência, tal como eu a concebo, empreende uma campanha mais activa contra o mal que a Lei de Talião, cuja natureza mesma traz como resultado o desenvolvimento da perversidade. Eu levanto, frente ao imoral, uma oposição mental e, por conseguinte, moral. Trato de amolecer a espada do tirano, não cruzando-a com um aço mais afiado, mas defraudando a sua esperança ao não oferecer resistência física alguma. Ele encontrará em mim uma resistência da alma, que escapará do seu assalto. Essa resistência primeiramente o cegará e em seguida o obrigará a dobrar-se. E o facto de dobrar-se não humilhará o agressor, mas o dignificará... ", M. GANDHI


Mediterrâneo, José Alves



Apetece cantar, mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.

Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.

Apetece morrer, mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.

Oh! maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas,
Que deixam ver a vida que não temos
E as angústias paradas!

Miguel Torga, in Cântico do Homem