Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

domingo, 8 de novembro de 2026

Quadra em quatro ângulos, para um mundo esférico

 

Ribeira de Lecefécit, Alandroal - José Alves


    Por vezes, preciso das raízes, andando por aí, no Alentejo profundo. Preciso de pisar lugares por onde já andei. Não sei qual é a procura, não me perco a reflectir sobre esta demanda infindável. Errância ou fuga? Busca ou finitude?
    Depois, arrumo as ideias, arrumando a casa...e, numa dessas tentativas de ordem, encontrei um escrito, talvez o primeiro, datado de um mês de Novembro de 1966, teria oito anos. Recordo bem as circunstâncias: o meu querido avô Zé tinha morrido em Setembro desse ano e eu estava, então, a iniciar a terceira classe e lidava, pela primeira vez na vida, com a partida de um ente querido. Ah, como eu adorava aquele ser de mais de um metro e oitenta, loiro e de olhos azuis! Ao contrário da avó Ana, que era pequenina e morena. Fiquei a fazer-lhe companhia na imensa casa vazia.
     Agora, que O Voo das Águas me leva aqui e ali, encontrei essa relíquia do passado e, confesso, ainda vejo o mundo pelos olhos dessa miúda. Poderia escrever, hoje, a mesma coisa.
    
   Partilho-a convosco:

Tudo se resume no absoluto.
As coisas diversas são iguais.
Só há alegria porque há luto.
Tudo forma o uno e não mais!
                                     (Vale de Açor, Novembro de 1966)




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