Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165
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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Fabris, 1925

Fabris, Veneza

Entramos. É a curiosidade que nos faz entrar ou a multidão que nos leva nessa onda humana? Não saberemos nunca. De tantas vezes em Itália, esta é a primeira na cidade naufragada. Há muita coisa bela por aqui e muito «cliché» vendido. O mundo ficcionou o arquipélago e, ainda mais, estas ruas estreitas e largas praças. Todos amam Veneza e não te falarei disso. O postal ilustrado foi, há muito, vendido. Afinal, esta é uma cidade de mercadores. Também te amei em Veneza ao som dos violinos do Florian. Também bebi o café da mais velha cafetaria, ou não. Entrámos e, como outros, comprámos verdades e falsificações.
Saímos e só aquela data - 1925 - se fixa na memória. Giuliana ou Giancarlo Fabris não são actores para a minha vida mental. 
A História que ressurge não tem o brilho das águas do Adriático, nem dos canais. Não desaguou aqui. Foi a 3 de Janeiro desse ano de 1925 que o Duce se revelou inteiro - o pai do povo, que regula e reprime, que liberta nesse ano os fascistas presos e trava a batalha do trigo e, e, e...
Ah, Bela, como os perigos te espreitam!

Ana

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Nota Pessoal

Catedral, Milão/08/09 - José Alves

A Bianca (épagneul breton), que conhece a velocidade com que cruza a planície e tem um corpo de aço musculado, adora-me. Ver-me, assim, parada no pátio, depois de mais um dia longuíssimo de preparação de novo ano escolar, deixou-a doidinha de todo...
Eu, ainda sem ritmo, corpo cansado e mole como o calor da tarde incendiada, mente aturdida pelo início rumoroso de mais um Setembro lectivo, fico ali parada e rego, desesperadamente, malvas sedentas no verão que já baixa nuvens pesadas de tempestade eléctrica.
Sou felina, diz-me por vezes uma amiga de longa data, talvez por isso tenha resistido à queda feia, de costas, sobre a calçada de granito que a Bianca me trouxe naquela correria louca e inesperada.
Nota pessoal - e eu que nunca escrevi Diários! Uma semana depois cá estou: passou a vigilância ao traumatismo craniano, a rigidez do pescoço desapareceu, dói um pouco aqui e ali e só o cotovelo testemunha o passional amor da Bianca.
Desculpem amigos se não fui assídua nas visitas.



Milão/08/09 - José Alves

Milão já ficou distante, mas de todas as cidades de Itália é a que me está mais próxima. Mariangela, minha amiga desde menina, vive ali.
Impressionantes preços e brilho na cidade mais rica de Itália. Eu, que nem aprecio compras e essas coisas desnecessárias, sinto um misto de frio e revolta, quando percorro com o olhar as montras exageradas da Galeria Vítor Emanuel II. Este primeiro e tardio rei italiano teve cada sonho de grandeza!

Europeus e asiáticos olham e olham, compram e compram...


Galerias Vítor Emanuel II, Milão/08/09 - José Alves

Mariangela, por estes dias, fugira para os Apeninos. Não nos encontrámos junto ao Castelo. Ela não aguentara aquele calor húmido, entre dois mares - «é um caldo umido che ti fa stare male», diz no seu belo italiano cantado.



Milão/08/09 - José Alves


Milão ficou para trás.
Por estes dias, Mariangela regressou à Fiera Milano. Prepara MACEF e as suas jornadas são longas.
Na montanha choveu. Vamos contornar o Lago Di Como e olhar as vilas deslumbrantes como um luxo proibido.




Milão/08/09 - José Alves



A Lombardia é deslumbrante, começo a sentir saudade. Ando e não me canso. O meu marido minhoto tem calor. O meu filho apaixonou-se por Itália e faz já planos para regressar.


Castelo Sforzesco, Milão/08/09 - José Alves


Nota pessoal: ando e não me canso. Vantagens de alentejana rural por estas cosmopolitas ruas, rios de calor húmido...

«Ciao cara!»/«Até breve, Mariangela!»




Castelo Sforzesco, Milão/08/09 - José Alves

domingo, 6 de setembro de 2009

Menor que o meu Sonho.


José Alves, Veneza/2009

Nunca como em Veneza
adoro a nossa pobreza
portuguesa;
as nossas casas caiadas,
as nossas praias salgadas,
os burricos berberes,
e na Batalha de pedras douradas
a saia pela cabeça das mulheres.

Ó Veneza oriental,
marítimo tesouro
de púrpura, de mármores e de ouro:
- em Portugal
rico só é o céu que nos lá cobre.
Portugal teve o mundo - e ficou pobre.
Afonso Lopes Vieira - como todos os sonhos imperiais, meu caro poeta.
***
«Sobre Veneza quase tudo já foi dito. Para os românticos, é um local único. Poetas cantaram a beleza do pôr do Sol no Grande Canal, onde as águas do Adriático surgem como um espelho cujos reflexos caleidoscópicos cintilam na alvura dos palácios renascentistas. Outros vibram com a bruma mística que se costuma abater sobre a cidade, envolvendo-a sob um manto de mistério que serve de cenário ao mais famoso carnaval da Europa e onde os encapuzados vagueiam pelas ruas labirínticas entrecortadas pelas inúmeras pontes que surgem em cada esquina.

Para os mais racionalistas, Veneza pode ser apenas uma cidade que nasceu e cresceu no meio da laguna. Uma cidade formada por 117 ilhas; 150 canais e 400 pontes. Pode parecer redutor para a cidade que os venezianos construíram sobre o fundo lodoso e embelezaram graças às riquezas acumuladas de uma profícua actividade comercial que remonta aos tempos da Idade Média, mas também não deixa de ser uma definição.

Por isso, tanto os românticos como os racionalistas têm razão. Veneza é um pouco das duas observações, mas também é verdade que quem um dia visita a laguna não deixa de pensar no regresso a uma cidade cujas origens remontam aos tempos da queda do Império Romano, quando no século V d. C. os povos bárbaros do Norte invadiram as fronteiras romanas.» ( texto: Nuno Pina)

sábado, 5 de setembro de 2009

Florença Genial!

Leonardo da Vinci, 1481-1482

http://www.uffizi.firenze.it/musei/uffizi/visita/


Poderia ficar em Florença para sempre.
A cidade é-me familiar. Já aqui estive antes e acredito que voltarei.Voltarei sempre...
Conheço-lhe as ruas, abstraio da multidão e Dante ainda se passeia neste exílio magnífico. Gosto tanto desta cidade que não encontro as palavras...o peso genial pressiona a minha pequenez. Volto para ver a Galeria Degli Uffizi com a lentidão necessária.
Concretizei um sonho que da última vez não pude realizar.
Poderia ficar em Florença para sempre!


Florença - quero permanecer aqui!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Siena Cénica

José Alves, Sena, 2009



José Alves, Sena, 2009

José Alves, Sena, 2009


José Alves, Sena, 2009

José Alves, Sena, 2009


José Alves, Sena, 2009

José Alves, Sena, 2009
José Alves, Sena, 2009

« Emoldurada entre colinas, a sul de Florença, esta pitoresca, e bem conservada cidade medieval, é um dos centros da Toscânia. Rival histórica da cidade dos Medici, Siena, é famosa pelas suas praças, igrejas e arquitectura. Visitar a catedral Giovanni Pisano, onde se encontra a maravilhosa estátua de Maria Madalena, é obrigatório. Caminhar pelas ruas de Siena, é passear pela história. Com a loba romana como símbolo, omnipresente, em estátuas e soleiras de portas, ou em brasões que enfeitam as varandas, vigia segura e com olhar maternal, os turistas que vagueiam pela cidade.

Siena, é provavelmente das mais belas cidades de Itália, com enquadramentos cénicos, dignos de horas de película gasta. Totalmente cercada por muralhas, maravilhosamente preservada, Siena é um dos mais belos legados da história medieval. Passear pelas suas ruas, deixar-se invadir pela sensação de pequenez quando entrar na Piazza d’il Campo, onde se realiza o Palio, a mais bela praça central de Itália, ou então, subir até a Duomo, perder-se nas ruinhas estreitas e sinuosas e olhar o pôr-do-sol, que se esconde por trás da fortaleza. Por fim subir do casco velho, até a Fortaleza sobranceira e olhar lá em baixo, Siena espraiar-se por entre ruinhas e ruelas, que como artérias, alimentam a cidade em direcção ao coração, a Piazza d’il Campo.

Capital da República de Siena em tempos idos, Rival de morte da vizinha e poderosa Florença, com quem discutia o predomínio da Toscânia, mas em verdade se diga que a cidade da Loba não é Florença, mas também a cidade dos Médici, nunca será Siena!» - zeroazero.pt


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Em Pádua - lado lunar


José Alves, Pádua, 2009

Em Pádua há coisas estranhas e as entranhas...






José Alves, Pádua, 2009


Relíquias de carne e de osso...





José Alves, Pádua, 2009

Do português pregador...





José Alves, Pádua, 2009



... e coisas assim:



José Alves, Pádua, 2009


Em Pádua há um lado lunar


sábado, 1 de agosto de 2009

De Pádua a Veneza


net.viagens

O Sonho

Sebastião da Gama


Pelo Sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

*

Basta a fé no que temos,
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e do que é do dia-a-dia.

*

Chegamos? Não chegamos?

*

- Partimos. Vamos. Somos.

*

in Pelo Sonho é que Vamos




Santo António, Pádua
Fillipino Lippi, 1480

sexta-feira, 31 de julho de 2009

De Assisi a Firenze


Turismo Italia.org.

Subiremos de Assis para Florença e, mudos pela beleza da belíssima Umbria, o divino tocar-nos-à até atravessarmos a Ponte Vecchio e nos perdermos, humanos renascidos, reféns do Belo que nos envolve neste mundo.
O rio Arno lavará nossos olhos deslumbrados...



CÂNTICO DAS CRIATURAS

de Francesco de Assisi

*

Altíssimo, Omnipotente, Bom Senhor

Teus são o Louvor, a Glória, a Honra e toda a Bênção.

*

Louvado sejas, meu Senhor,

com todas as Tuas criaturas, especialmente o senhor irmão Sol,

que clareia o dia e que, com a sua luz, nos ilumina. Ele é belo

e radiante, com grande esplendor; de Ti, Altíssimo, é a imagem.

*

Louvado sejas, meu Senhor,

pela irmã Lua e pelas estrelas, que no céu formaste, claras.

preciosas e belas.

*

Louvado sejas, meu Senhor.

pelo irmão vento, pelo ar e pelas nuvens, pelo sereno e por todo o tempo em que dás sustento às Tuas criaturas.
[...]


quinta-feira, 30 de julho de 2009

Roma

Turismo de Italia.org

O Castelo de Santangelo será o cenário do regresso. Aqui regressaremos sempre, filhos do Império, escravos da velha Ibéria...Roma, a eterna civitas, ainda nos acolhe.
Calor e turba. Novas epidemias espreitam. Nós? Mortais, como sempre...


Turismo de Italia.or


Vítor Emanuel II, o aristocrata de Turim, rei da Sardenha e depois de Itália, talvez tenha sonhado com o velho Império, mas os romanos não perdoam e Mariangela, minha amiga de sempre confirma: «Ana, aí estamos de regresso à velha máquina de escrever».
Detenho-me em pormenores:


«Deixa o resto aos deuses»
Qvintvs Horativs Flaccvs, Odes


domingo, 13 de abril de 2008

Itália - a bela


A Itália é belíssima...luminosa e vária! Só de reviver velhas viagens me apetece partir de novo. Ali, o olhar segue da pré-história à república e, no coração da península,velhos e sábios etruscos ainda murmuram.
Eclética, de tons terrosos e suaves, inscreve-se em fachadas do império e do fascismo. Magnífica, medieval e pré-romana, helénica e fantástica!
A Itália teve sonhos de glória e, serena, guiou o gosto renascido da Europa.
Tantos sábios, tiranos e proscritos...
Itália,a bela, pensa e foge dos poderosos fúteis!
Anna