
Viajo, sem máquinas, numa linha que se estende de Ponte de Lima a Monção. Curvas sobre curvas feitas de dramas e de silêncios. Gente alegre tagarela sobre a Cruz e a Páscoa e flores que crescem no quintal. Couves esguias testemunham palavrões inofensivos de uma linguagem redundante. O vinho espuma sobre a toalha imaculada. Missas e padres e anedotas brejeiras vão diminuindo o pantagruélico pão-de-ló. Risos e lágrimas de histórias antigas. Diminutivos nos nomes e campos desenhados de verde uniforme, intenso e vibrante na garganta do vale. É o Alto Minho.
Lagoas, Ponte de Lima
Ponte de Lima, orgulhosa de anais e História, enche-se de cruzeiros pascais de um roxo perturbador. Vaidades recentes sentam-se nas esplanadas e alinham-se em tribos de linhagens bem definidas. Um mar de carros invadiu o areal e brilha multicolor. Imigrantes e emigrantes, indistintamente, caminham pela margem do Lima e a velha ponte testemunha mais esta passagem.

CM de Monção, Palácio da Brejoeira
Sinais de alguma ruína assomam aqui e ali a recordar outros idos em que palácios se venderam e inscreveram as naturais castas desta terra desigual.
Bebamos esse verde.
Ana