| São Pedro de Moel, Julho, 2026 |
| Lourdes, França, José Alves |
| Mesquita Al-Aqsa e Jardim das Oliveiras, à distância (Jerusalém), José Alves |
| São Pedro de Moel, Julho, 2026 |
| Lourdes, França, José Alves |
| Mesquita Al-Aqsa e Jardim das Oliveiras, à distância (Jerusalém), José Alves |
Já, aqui, vos falei da minha admiração pela poetisa Graça Pires .https://raraavisinterris.blogspot.com/2019/06/a-proposito-de-uma-poetisa.html. Hoje, sugiro-vos o que publicou este ano, durante a Primavera. Uma leitura fascinante que nos conduz pela beleza de imagens e de metáforas profundas. A prosa poética refina cada palavra como quem lapida diamantes. O que mais nos atrai é essa liberdade interior que se prolonga na liberdade poética dos seus versos sem amarras de normas de versificação.
Rito de passagem
Ocultei o olhar
para ver no fundo do abismo
o reino da água
com reflexos
de lágrimas e suor
de sangue e saliva
no recato da memória se doendo.
Neles me purifiquei para entrar
no labirinto das palavras.
(o.c., pág. 281)
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| Ilha Folegandros, Grécia |
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| A ventania não ajudou o esforço das cabeleireiras :) |
Com teias de luz e de silêncio,
Ao Sol ardente, tecia o seu sonho.
E dedos de vento moíam, moíam...
Grãos de vida na fímbria da Lua.
Sua tez trigueira, madura em grão,
Ao Sol poente, por veredas corria.
E dedos de vento moíam, moíam!
Trigo dos dias, na roda e em vão...
Menina, ainda, fermento de vidas;
Mulher, que sonhas, que findas?
Flora, na planura deste mar arável!
Amável velhinha, no moinho dos dias.
E dedos de vento moíam, moíam...
Grãos de vida na fímbria da Lua.
Ana Tapadas
Nota: não estive presente, pois a minha Madalena fez os seus cinco aninhos e, por isso, rumei a Alvor. As minhas palavras, essas, estiveram na celebração de um tempo passado próximo.