Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Kritiki Pelagos


Knossos - Creta, José Alves - 2008




Dormes, meu amor,
com as cigarras
de Creta...
O mar verde
dos teus sonhos
segreda,
zela,
sussurra,
murmura
infindáveis nomes
dos deuses...
Dormes, meu amor.
Kritiki Pelagos,
Arconte dos teus sonhos,
ungiu-te
aqui...
Dormes, meu amor,
no meu seio
entre as flores,
no mar verde
dos meus olhos,
com as cigarras
em Creta.


Ana



Reedito este «post», como resposta ao anterior. José é, habitualmente, o meu fotógrafo. Não tem redes sociais. 
É a memória actualizada, perene.



Knossos-Creta, José Alves - 2008

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Para ti






Vladimir Kush


Da minha mão, nasceu o poema
eterno como a luz, rápido como o vento.
No sossego da palavra, crio o alento
da verdade pura, que tornei em lema.

No céu distante, mais além de Deus,
uma alma pura de paz se incendeia
na escuridão dos passos, fio de candeia,
abraço a tua alma e os carinhos teus.

E na rocha imensa, com orvalho puro,
teu nome de amor, tão terno e tão duro,
vai aquecer no mundo, a minha alma triste

porque no Amor, só Amor criado
esquecerá no templo, junto ao ser amado,
a voz da Razão, o Destino em riste!


José M. T. Alves 


O blogue, hoje, abre-vos uma excepção. Apresenta-vos o meu marido/alma gémea de décadas. Mas...não foi a primeira vez que aqui o trouxe!

https://raraavisinterris.blogspot.com/2009/08/nao-te-quero-senao-porque-te-quero.html




segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Rumo

Alto Alentejo, 2020


A minha vida faz-se olhando a planície. As cores que se transmudam ao sabor dos dias pautam-me uma melodia íntima que não vos saberei transmitir. É uma cantata de comunhão e harmonia, de serenidade e de sonoridades que orquestram cada momento.
Vou a trabalho, pois aqueles que longe legislam não se perdem na distância e desconhecem a luminosidade que escorre da lonjura.



Alto Alentejo, 2020

As nuvens viajantes são minhas companheiras e nelas arrumei a infância. Mas reconheço o cheiro da erva cortada e esta humidade que a terra respira. Nunca estarei só, nestas paragens. Tudo se reduz na sua mesquinhez citadina, quando se espraia o olhar pelo longe do horizonte.


Alto Alentejo, 2020

A Primavera que espreita não me retira a inquietação. Eu sei o perigo que se disfarça em cada ondulado do caminho. É estreita a via. Há rumores de que novas guilhotinas se aprestam e de que rondam as sombras esquivas de novos senhoritos e inquisidores.



Alto Alentejo, 2020

Um velho leva as suas cabras. Atravessa a rua deserta. Traz-me o tempo antigo e as portas fechadas. Vou a trabalho, já to disse. Não sou a «cabrita» livre que saltitava pela aldeia da minha infância rodeada de amigas «cabritas» como eu. As avós e mães já não gritam por nós e este não é o tempo das amoras que colhíamos no largo. Agora, só o horizonte é largo e a sua vastidão grita-me a força vital que não nos abandonou, ainda...
O céu não nos cairá sobre a cabeça.


Alto Alentejo, 2020

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Teorias da conspiração ou sinais dos tempos?

Teorias da conspiração




«Umbrella Corporation (também conhecida como Umbrella, Inc., Umbrella Pharmaceutical Inc. ou Umbrella Corp.) (アンブレラ・コーポレーション) é uma empresa fictícia para série de jogos e filmes Resident Evil, fundada com o objetivo de criar armas biológicas. Ela opera sob uma espécie de monopólio no mercado mundial. A Umbrella produz produtos farmacêuticos, armamentos, computadores e outras atividades clandestinas de pesquisa biológica.

O Slogan seria "Our Business is Life Itself" ou em português "Nosso negócio é a própria vida.", outro slogan diz: Umbrella's moto have always been: "Preserving the Health of the People", ou em português: O lema da Umbrella sempre foi: "Preservando a saúde das pessoas", um terceiro slogan foi introduzido no Brasil através dá série de longa metragens de Resident Evil onde diz "Nosso negocio é a vida, fazemos tudo por você".

A Umbrella foi fundada por James Marcus, junto com o Lorde Ozwell E. Spencer, um descendente da família real inglesa, e Edward Ashford.

Na franquia de filmes a Umbrella é a principal vilã sendo comandada por Albert Wesker que perdeu o controle da empresa para a IA Rainha Vermelha que retorna em Resident Evil Retribuition.

A empresa havia saído da série de jogos, quando no começo de Resident Evil 4 o protagonista Leon narra que a empresa tinha falido, outros jogos da franquia também confirmam o acontecimento, como Resident Evil Umbrella Chronicles e Resident Evil Outbreak File #2. Em Resident Evil 6, surge uma empresa chamada Neo-Umbrella, a mesma possui Carla Radames como líder. A empresa é fortemente inspirada na Umbrella Corporation, aparecendo já formada com bases subaquáticas e grandes laboratórios.» (WIKIPEDIA)




Estranhos são os tempos, mas os sinais e símbolos instalam-se por toda a parte. São fruto dos mitos e da tentativa de os explicar. Pessoa diria, «O nada que é tudo». Daí que os símbolos me atraiam tanto.

Vivemos num tempo de realidades fraccionadas, mesmo que o conceito de Real sempre tenha sido a inquietação filosófica por excelência. As preocupações são, por isso, crescentes. Entranham-se os símbolos, modifica-se a realidade aparente, mas é nela que habitamos.

O tempo do «eu» é de uma perigosidade enorme: eu posso; eu mereço; eu quero; eu vou; eu tenho...o individualismo pós-moderno, pós-ocidental, pós-humanista exportado através de todo o tipo de indústrias que alimentam o grosso ventre das sociedades consumistas - à margem de ideologias que se esfumam.

O «eu» observa-se a si próprio, esquecendo-se da sua natureza de animal social, tal como o definiu Aristóteles. Os resultados estão à vista!




Nota: lá vou eu ter que apagar mais um comentário do movimento, dito, pós-humanista. Estes comentários são frequentes por aqui, bem como os convites. Calma, a minha geração leu Nietzche na adolescência e sabe muito bem que não somos todos hiperbóreos.




domingo, 19 de janeiro de 2020

Um chá na Pérsia



Iman Maleki, «Peixeiro»,  pintor iraniano

Gostaria de, no próximo Verão, visitar aquela terra a que os Gregos, um dia, chamaram Pérsia. Muito provavelmente não poderei fazê-lo. Não por os misseis, desta vez, não terem o ardiloso «capacete de ferro» israelita a proteger-me, mas por motivos pessoais - os mesmos que, por vezes, silenciam o «Sul Sereno».
Sabes que corro atrás da História. O Irão alberga os fundamentos de uma sabedoria ancestral e equaciona o meu sentido de justiça. Sabes que não rejeito lugares inóspitos. Procuro, sem cessar, a resposta para a pergunta que me aflige:

Que estamos a fazer da Humanidade?


Resta-me reler Hafez, poeta persa do séc. XIV.

Edição bilingue em castelhano-árabe


Solitário?
Milhares de seres apaixonados e nus
habitam as cavernas antigas debaixo das 
Minhas pálpebras.

Riquezas?
Toma aqui um punhado,
todo o meu corpo é uma esmeralda que implora.

Eu aprendi tanto de Deus,
Que já não posso mais chamar-me
Cristão, Hindu, Muçulmano, Budista, Judeu.


A Verdade compartilhou tanto de si mesma comigo,
Que já não posso mais chamar-me Homem, mulher,
anjo ou mesmo uma alma pura.