Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

sábado, 9 de maio de 2026

Sinais de ruína

 

A Torre das Águias foi edificada na extinta Vila das Águias, um aglomerado urbano que em 1361 se constituiu como sede de concelho, criado por D. Pedro I .




Ana Tapadas, in, O VOO DAS ÁGUAS, Edições Toth, 2025




Foi construída por volta de 1520 por D. Nuno Manuel, um alto funcionário do rei D. Manuel I, e apresenta um estilo Manuelino.


Vista a partir do alto da Torre


Interior da Torre das Águias (chão coberto de dejectos)


Classificação patrimonial: https://imovel.patrimoniocultural.gov.pt/detalhes.php?code=70383



        Como é possível que o Património histórico atinja este grau de ruína? Visitá-lo nem sequer é fácil, apenas a autorização dos proprietários do terreno nos possibilitou o acesso.

    

    Vivemos, de facto, na "sociedade do espectáculo", onde as verbas se perdem naquilo a que os romanos chamavam de "pão e circo".


    

"Localiza-se na povoação de Águias, vizinha ao rio Divor e ao santuário de Nossa Senhora das Brotas, integrava a chamada vila das Águias, da qual ainda subsistem algumas casas. É um dos exemplares mais significativos de torre manuelinas na região. Classificada como Monumento Nacional, em 1910. "

Ex-libris da página da autarquia de Mora?!
Sim, mas a propriedade é privada, tem portão de ferro e para o caminho precisa ter uma viatura 4 vezes 4.

                                 https://www.visitmora.pt/pontointeresse/torre-das-aguias/


Cá fica a sugestão de leitura que se impõe:



    

segunda-feira, 27 de abril de 2026

De novo o luto...17 de Abril

 

                                                     John William Godward



Em plena Primavera, surgem vendavais súbitos e o pior de todos é o luto. 

A Deus, Micas, minha querida sogra.



Sala de Operações - nota de uma ausência

 




    O título é sugestivo e inquietante – lugar de luta contra a efemeridade da vida, lugar de morte, porventura. 
    Folheio, leio transversalmente e com a avidez de chegar ao miolo da obra...e deparo-me com a palavra “Ázigo”, vagamente penso no significado grego deste termo: “único”, ou ímpar, como o jovem e talentoso poeta que aqui vos apresento. Entremos na sala de operações, onde esta veia ímpar, que faz parte de um sistema de outras veias, se acomoda.
    Sou mais uma das suas leitoras. Lê-lo é surpreender-se, nessa fuga aos floreados, é mergulhar numa contenção que muito aprecio.
    Há no autor uma melancolia contida feita de  palavras esculpidas, mesmo quando o seu lirismo se afoga no corpo, no sentimento de uma “sala de operações” urbana que vê asséptica através de uma arte poética extraordinária, dissecada e precisa.
    Há nele uma consciência da fragilidade fragmentada da vida humana e a consciência de uma memória que me parece invulgar, num poeta tão jovem.
    O seu olhar é urbano, mas atento, diria mesmo cirúrgico.
    O ritmo, construído com versos de raras pausas, evoca o ritmo da vida urbana. Os versos, aqui e ali, têm sonoridades musicais (pág.19), apoiadas em aliterações e assonâncias.
    Os seus poemas detêm uma consciência uma invulgar para um autor tão jovem. 
    Os “carros” parecem ser os repositórios da vida urbana. Animizam-se sob um regime de imagens literárias penumbrosas, de uma meia-luz nocturna, crepuscular e sem brilho.
    Em toda a obra há uma liberdade criativa evidente também afirmada pela presença de poemas harmoniosos, numa construção sem amarras aos cânones tradicionais. A marca de algumas rupturas é feita de originalidade de um pensamento pós-moderno e individualizado. Noutros poemas, leio a ironia de O’ Neill que observa cirurgicamente os prédios, as paisagens que eram e já não são, na mudança fluida da cidade, onde tudo é precário e se transforma. Às vezes, Cesário Verde assoma no minucioso olhar sobre a cidade, mas na evocação do campo já nada se revigora e a doença permanece (p.p. 25/27).
    Que “alma velha” o habita para escrever assim(?) neste tempo em que a maioria  sucumbe a uma efémera sociedade espectáculo?
    Que nostalgia o leva aos lugares “de uma ausência”, (pág.32) como diria Maurice Blanchot, e o habita nessa geografia íntima que tão profundos poemas nos traz nessa sua arte poética? (“vapor”, pág. 32)
    Proponho, aos leitores, uma atenção muito especial ao sema da consciência social, presente nos poemas das p.p. 42 e seguintes e, em especial o poema da pág. 50, “Hannah” que antecede a parte intitulada “sala de operações”  concatenada com o poema com o mesmo título, na pág. 82. . Estes poemas constroem-se sobre intertextualidades diversas, mas de todos emerge a sensação da nossa inglória finitude.
    
    Parabéns, poeta André Osório, por tanta sensibilidade poética e por esta obra, em particular!


                                                                          Ana Tapadas



(Não pude estar presente, no dia 17 de Abril. Aqui deixo uma nota.

O luto impôs a viagem para Ponte de Lima, pois os meus partem em plena Primavera.)

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Quinta-feira, 25 de Abril de 1974

 

Hemeroteca D. de Lisboa


Sabemos, hoje, que nada está garantido.


Maria Helena Vieira da Silva






quinta-feira, 16 de abril de 2026

BARTLEBY, André Osório

 



Este biombo
repete o segredo

dos poemas em que me copio,
intrinsecamente,

com a humanidade à tona.