Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165
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domingo, 6 de outubro de 2019

Sempre a Língua, veículo de cultura e de memória histórica


Jerusalém, 2019 - José Alves


Pois...o Dicionário pode transportar uma ideologia, a do seu autor, a da sua época, a de um uso linguístico já muito desviado...


O Dicionário Prático de Locuções e Expressões Correntes, de Emanuel de Moura Correia e Persília de Melim Teixeira, edição da Papiro Editora, regista a expressão «não dizer desta água não beberei», com o significado de «não se julgar livre de fazer aquilo que condena nos outros».




"A cultura sefardita manteve-se ao longo dos séculos. Ainda há orações em português e noutra língua muito rica, o ladino, formada com junção do espanhol e do português medievais", explica Michael Rothwell



Castelo de Vide




Em compromissos velados, algumas casas mantiveram as práticas (e as sinagogas escondidas) que o judaísmo lhes instruíra. Os criptojudeus, forçados à conversão por um baptismo na fonte central da vila, continuaram a dizer 'dessa água não beberei', no que ao catolicismo dizia respeito, tudo isto consagrado em rituais secretos e à sombra do medo. "As minhas vizinhas, nas sextas-feiras à tarde, faziam umas cerimónias que eu nunca compreendi, e uma delas colocava aqui uma vela [retira a tampa de um jarro de argila]. Ela cortava em pedaços o rebordo do recipiente para lá dentro poder alojar a candeia. Dizia que a luz não podia ser vista da rua. Faziam isto sem saber explicar muito bem porquê".                   
(Carolino Tapadejo, em entrevista à TSF.)


Resultado de imagem para castelo de vide, fonte
Fonte de Castelo de Vide

Para quem se interessa por  estes temas, aqui deixo uma ligação à excelente entrevista da TSF:

https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/para-os-judeus-sefarditas-a-terra-prometida-nunca-foi-israel-e-portugal-e-espanha-11120912.html


quinta-feira, 24 de maio de 2018

O Lugar da Memória



Júlio Pomar

        Olhar e sentir
por dentro do corpo a massa de que é feito o avesso dele.
Ossos músculos nervos veias
tudo o que está no corpo e mundo é
a pintura contém e depõe na tela e
se acaso aí o pintor deixou reservas
nesse sem nada o avesso do mundo se
recolhe e mostra a face.

Júlio POMAR, TRATAdoDITOeFEITO









Se Penso, Existo

Se penso, existo; se falo, existo para os outros, com os outros. 

A necessidade é o lugar do encontro. Procuro os outros para me lembrar que existo. E existo, porque os outros me reconhecem como seu igual. Por isso, a minha vida é parte de outras vidas, como um sorriso é parte de uma alegria breve. 

Breve é a vida e o seu rasto. A posteridade é apenas a memória acesa de uma vela efémera. Para que a memória não se apague, temos que nos dar uns aos outros, como elos de uma corrente ou pedras de uma catedral. 

A necessidade de sobrevivência é o pão da fraternidade. 
O futuro é uma construção colectiva. 

António ARNAUT, in As Noites Afluentes



terça-feira, 24 de março de 2015

Deixarei os jardins a brilhar com os seus olhos

Cá de casa, José Alves


Deixarei os jardins a brilhar com seus olhos
detidos : hei-de partir quando as flores chegarem
à sua imagem. Este verão concentrado
em cada espelho. O próprio
movimento o entenebrece. Chamejam os lábios
dos animais. Deixarei as constelações panorâmicas destes dias
internos.

Vou morrer assim, arfando
entre o mar fotográfico
e côncavo
e as paredes com as pérolas afundadas. E a lua desencadeia nas grutas
o sangue que se agrava.

Está cheio de candeias, o verão de onde se parte,
ígneo nessa criança
contemplada. Eu abandono estes jardins
ferozes, o génio
que soprou nos estúdios cavados. É a dor que me leva
aos precipícios de agosto, a mansidão
traz-me às janelas. São únicas as colinas de ar
palpitando fechado no espelho. É a estação dos planetas.
Cada noite é um abismo atómico.


E o leite faz-se tenro durante
os eclipses. Batem em mim as pancadas do pedreiro
que talha no cálcio a rosa congenital.
A carne, sufocam-na os astros profundos nos casulos.
O verão é de azulejo.
É em nós que se encurva o nervo do arco
contra a flecha. Deus ataca-me
na candura. Fica, fria,
esta rede de jardins diante dos incêndios. E uma criança
dá a volta à noite, acesa completamente
pelas mãos.


Herberto Helder
Fonte: Instituto Camões

domingo, 18 de janeiro de 2015

A Torga

torga (google)

Súplica

Não adiem a nova primavera.
Olhem que ramos tristes, os meus braços!
Trinta invernos a fio, e só dez anos 
De rosas de inocência e de perfume!
Lume!
Lume é que a vida quer nos ímpetos gelados!
Homens a arder de sonho e de alegria,
Em vez de candelabros de agonia,
Apagados.

(M. TORGA, Canto do Homem)



ANTT

Desespero

Homem, que perdição!
Que desgraça!
Um arco de triunfo em cada praça
A consagrar a tua perdição!

(ibidem)

PIDE  - ANTT


domingo, 27 de abril de 2014

Espaço interior

Florença - José Alves

quando o poema 
são restos do naufrágio 
do espaço interior 
numa furtiva luz 
desesperada, 

resvalando até 
à superfície, 
lisa, firme, compacta, 
das coisas que todos 
os dias agarramos, 

quando 
o poema as envolve 
numa aura verbal 
e se incorpora nelas, 
ou são elas a impor-lhe 

a sua metafísica 
e o espaço exterior 
que povoam de 
temporalidades eriçadas, 
luzes cruas, sons ínfimos, poeiras. 

Vasco Graça Moura, in Antologia dos Sessenta Anos
(Duas coisas me uniram a V. Graça Moura: o interesse pelo Renascimento e a profunda discordância na aplicação forçada de um AO que destrói a Língua e a sua evolução histórica. Que descanse em paz!)

domingo, 11 de agosto de 2013

Biblioclastas

Figueira da Foz, 2013 - José Alves
Vivemos num claro país rente ao mar. Detenho-me a pensar num livro a que retorno, pois acredito que neste tempo de convenientes, resilientes e resistentes tudo se apouca ao sabor de uma geração facciosa e clubística. Despreza-se o intelecto, morada impertinente, e banaliza-se no «politicamente correcto» um atraso civilizacional assustador. Esta é, por certo, a mais subtil forma de ignorância e o sinal óbvio do fim de uma civilização.
Existem formas ignóbeis de desprezo, a pior de todas é a da intolerância para com o saber daqueles que não são duplos de nós próprios. Isso aconteceu na História da Humanidade e repete-se. Fernando Báez explica-o bem na obra a que retorno.


Ocorre-me esta reflexão, perante a forma volúvel como foram noticiadas a morte e as exéquias de Urbano Tavares Rodrigues. A sua arte literária, a sua carreira universitária e a sua índole não se reduzem a uma «militância», mas assim perpassou na comunicação social que tudo aligeira sem massa crítica nem conhecimento. Habitando o sistema educativo entendo esta falta de profundidade, este verniz de pudor cretino, este clamor de aparências e cores de papagaios tropicais que povoam o nosso Verão boreal. Tantos egos e tantos vazios...tanta ruína, e a pior de todas é a humana!

Vivemos um ocaso «à beira-mar plantado».

Figueira da Foz, 2013 - José Alves

No dia 9 de Agosto de 2013
houve uma vaga de calor. De certo modo
ele morreu dentro de um seu romance-
Não foi notícia de abertura. Os telejornais
mostraram mulheres gordas em Carcavelos
e um sujeito pequenino (parece que ministro)
a falar de “cultura política nova.”
Mais tarde este dia será lembrado
como a data em que morreu
Urbano Tavares Rodrigues.

Manuel Alegre
Lisboa, 9/8/2013


Este o romance que inspirou Manuel  Alegre

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Horas de vidro

Instituto Camões


Conheci o professor no fim dos anos setenta na Faculdade de Letras de Lisboa. Nunca foi meu mestre, mas a presença firme e o sorriso suave conduziram-me à descoberta da sua obra. Tornei a estar perto dele no final dos anos noventa...O meu mundo ficou mais pobre. O meu país vai tombando em ruínas...
Adeus professor!




Destino

I


Trago na fonte
e estrela do fogo
da minha revolta
Nunca aceitaria qualquer tirania
nem a do dinheiro
nem a do mais justo ditador
nem a própria vida eu aceito...
tal como ela é
com todas as promessas
do amor e da juventude
e a parda doença
de envelhecer
a morte em cada dia
antecipada


II


Na mais labrega alforja
ou na cama de folhas macias
da floresta
onde a chuva te adormeceu
há sempre um diamante de sol
cujos raios te penetram de
ventura
ao sonhares a palavra
liberdade


III


Quando a terra poluída
tiver sorvido
toda a água dos lagos e das
fontes
hei-de levar o meu fantasma
até ao porto sonoro
onde a esperança cai a pique
sobre o mar dos desejos sem limite



                           Urbano Tavares RodriguesHoras de Vidro




segunda-feira, 1 de julho de 2013

Saudades gregas



Grécia - José Alves, 2008

Sempre estarei na Grécia como quem regressa a casa, por isso não entendo o lastimável discurso vigente - esta pobre «doxa» que nos mergulha numa profunda escuridão cultural e civilizacional. 
«Nós não somos os gregos», repetem homens que nem ler grego sabem, por certo. Sim, não somos. Habitamos um rectângulo em ruínas e a pior de todas é a cultural. Dela decorre a verborreia discursiva que desconstrói a nossa sociedade.



Sempre estarei na Grécia como quem regressa a casa...

domingo, 9 de dezembro de 2012

Cada coisa...

google




Cada coisa tem o seu fulgor,
a sua música.
Na laranja madura canta o sol,
na neve o melro azul.
Não só as coisas,
os próprios animais
brilham de uma luz acariciada;
quando o inverno
se aproxima dos seus olhos
a transparência das estrelas
torna-se fonte da sua respiração.
Só isso faz
com que durem ainda.
Assim o coração.


                Eugénio de Andrade


É Domingo, eu sei. Com o sol a esmorecer num dia azul, ibérica escrava dos senhores do império, trabalho ainda.


sábado, 1 de dezembro de 2012

Da memória histórica ...após quase 870 anos

José Alves, Fronteira, Alentejo

Confesso, hoje, a minha tristeza e revolta. 
Tristeza, pois faz hoje anos que a minha querida avó Ana partiu para sempre.
Revolta, porque sem orgulho vos revelo que levei quatro anos da minha vida a construir uma dissertação sobre André Rodrigues de Matos, académico, poeta e tradutor que me ensinou, de perto e com algum sofrimento o estro restaurador. 
Poderia, pois, deixar aqui palavras bonitas sobre o tema, eivadas da afectividade que a data me evoca. Poderia, talvez, tentar um poema...
A avó partiu serena, enquanto dormia, aos 91 anos e é-me suave a sua recordação.

A revolta é o que me resta, neste 1.º de Dezembro em que, como povo, abdicamos oficialmente da memória. Não, não me incomodam os castelhanos...

Ana


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Eduardo Lourenço - Prémio Pessoa 2011





“Que o português médio conhece mal a sua terra – inclusive aquela que habita e tem por sua em sentido próprio – é um facto que releva de um mais genérico comportamento nacional, o de viver mais a sua existência do que compreendê-la.”
“Citar um autor nacional, um contemporâneo, um amigo ou inimigo, porque nele se aprendeu ou nos revimos com entusiasmo, é, entre nós, uma raridade ou uma excentricidade como usar capote alentejano. A referência nobre é a estrangeira por mais banal que seja, e quem se poderá considerar isento de um reflexo que é, por assim dizer, nacional?”
“Os Portugueses vivem em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo.”
“Mas seja qual for a interpretação ideológica de Camões, não é possível, para ninguém, separar o seu canto épico da apologia histórica de um povo enquanto vanguarda de uma fé ameaçada na Europa do tempo e de um império igualmente guarda-avançada da expressão comercial e guerreira do Ocidente. É essa a «matéria» textual e moral do Poema.”
“Em princípio, todo o português que sabe ler e escrever se acha apto para tudo, e o que é mais espantoso é que ninguém se espante com isso.”


 Eduardo LOURENÇOO Labirinto da Saudade, Gradiva, 2005.




“Eduardo Lourenço (…) sabe que todos nós somos espíritos perdidos no tempo e que, apesar das palavras não poderem quebrar a nossa irredutível solidão, elas podem pelo menos proporcionar um pouco de conforto no vazio da infinitude”.
Pascal Avot.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

1 de Dezembro


Orquestra de Harmónicas
http://www.harmonicas-ponte-sor.com/cartaopt.htm



Ainda há pouco o sol iluminava o parque. Apetecia passear sob os vinte graus deste Dezembro que começa. Agora a temperatura cai a cada hora, talvez desça do zero, sem qualquer pudor. Amanhecerá o parque branquinho de geada branca a brilhar na matina.
Terra de contradições, a minha.
Republicanos convictos vestiram na noite passada os velhos capotes e calçaram botas pesadas para celebrarem a Restauração da independência. É assim em cada ano. Este ano instalou o paradoxo numa dúvida de contradições evidentes. Por todo o concelho se celebrará - como acontece desde 1640 - este dia singular. A vinte quilómetros a banda sairá à rua e troará uma música militar.
O Hino da Restauração ecoa ainda, perante a indigência cultural que grassa nos dirigentes nacionais.

Somos alentejanos pacíficos e orgulhosos. Olhamos em frente. O horizonte é largo.

Ana




quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A Cegueira da Governação






Príncipes, Reis, Imperadores, Monarcas do Mundo: vedes a ruína dos vossos Reinos, vedes as aflições e misérias dos vossos vassalos, vedes as violências, vedes as opressões, vedes os tributos, vedes as pobrezas, vedes as fomes, vedes as guerras, vedes as mortes, vedes os cativeiros, vedes a assolação de tudo? Ou o vedes ou o não vedes. Se o vedes como o não remediais? E se o não remediais, como o vedes? Estais cegos. Príncipes, Eclesiásticos, grandes, maiores, supremos, e vós, ó Prelados, que estais em seu lugar: vedes as calamidades universais e particulares da Igreja, vedes os destroços da Fé, vedes o descaimento da Religião, vedes o desprezo das Leis Divinas, vedes o abuso do costumes, vedes os pecados públicos, vedes os escândalos, vedes as simonias, vedes os sacrilégios, vedes a falta da doutrina sã, vedes a condenação e perda de tantas almas, dentro e fora da Cristandade? Ou o vedes ou não o vedes. Se o vedes, como não o remediais, e se o não remediais, como o vedes? Estais cegos. Ministros da República, da Justiça, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra: vedes as obrigações que se descarregam sobre vosso cuidado, vedes o peso que carrega sobre vossas consciências, vedes as desatenções do governo, vedes as injustças, vedes os roubos, vedes os descaminhos, vedes os enredos, vedes as dilações, vedes os subornos, vedes as potências dos grandes e as vexações dos pequenos, vedes as lágrimas dos pobres, os clamores e gemidos de todos? Ou o vedes ou o não vedes. Se o vedes, como o não remediais? E se o não remediais, como o vedes? Estais cegos.
Padre António Vieira, in Sermões, séc. XVII

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Rosh HaShaná - ano de 5772

Alentejo, José Alves

Sou do lugar onde se encontram as culturas e os homens toleram os pensares. Sou das raízes de uma terra velha e pobre onde o deserto se instala no Verão.
Sei que o tempo se conta na sombra do Calendário do Império e que a Lua de Tishrei anuncia o recomeço. Criaturas somos desde o início, como ignorá-lo?

Ana






SHANA TOVÀ, SHNAT SHALOM UGMAR CHATIMÁ TOVÁ


Rosh HaShaná

Data Hebraica: 1 de Tishrei de 5772
Data: 29 / Setembro / 2011
O ano novo judaico é um período de reflexão, em que D'us inicia o julgamento de cada ser humano. A data celebra o aniversário da criação do Homem, no dia 60 da Criação do Mundo.



PARA SABER MAIS:


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Num exemplar das Geórgicas

Xul Solar - Argentina







Os livros. A sua cálida,
terna, serena pele. Amorosa
companhia. Dispostos sempre
a partilhar o sol
das suas águas. Tão dóceis,
tão calados, tão leais.
Tão luminosos na sua
branca e vegetal e cerrada
melancolia. Amados
como nenhuns outros companheiros
da alma. Tão musicais
no fluvial e transbordante
ardor de cada dia.

Eugénio de Andrade


(Assim andam os meus dias... mergulhada em livros.)

sábado, 28 de maio de 2011

Portugueses, um povo suicida

Salamanca - José Alves/2010


Assim se intitula o opúsculo de Miguel de Unamuno que hoje releio e que contém a resposta de Manuel Laranjeira, quando soube que o extraordinário iberista de Salamanca andava a escrever sobre Portugal.  São dezasseis páginas que vale a pena lermos nos tempos em que vivemos...





Aqui vos deixo um excerto:


« O pessimismo suicida de Antero de Quental, de Soares dos Reis, de Camilo, mesmo do próprio Alexandre Herculano (que se suicidou pelo isolamento como os monges) não são flores negras e artificiais de decadentismo literário. Essas estranhas figuras de trágica desesperação irrompem espontaneamente, como árvores envenenadas, do seio da nossa terra.
[...]
É horrível, mas é assim.

A Europa despreza-nos; a Europa civilizada ignora-nos; a Europa medíocre, burguesa, prática e egoísta, detesta-nos, como se detesta gente sem vergonha, sobretudo ...sem dinheiro. Apesar disso ainda há muita nobreza moral, ainda há pelo menos nobreza moral bastante para morrer, e ainda existem coisas bem dignas de simpatia.» (p.p. 10 e 11)



Memória para hoje:
«28 de Maio de 1926
Os diversos problemas que afectaram a 1ª República, tais como a participação na I Guerra Mundial e as sucessivas instabilidades, quer políticas quer económicas, levaram à formação de uma corrente oposicionista bastante forte. O operariado, os capitalistas e variados sectores da direita, temendo que Portugal enveredasse pelo socialismo dominante na Rússia, fomentaram a existência de grupos armados de extrema-direita, com o intuito de formar um  "governo forte " que melhor defendesse os seus interesses. Após vários golpes fracassados, como o que teve lugar a 18 de Abril de 1925, um deles foi bem sucedido: o de 28 de Maio de 1926.» (CITI - Universidade Nova de Lisboa)