Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165
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quinta-feira, 16 de maio de 2024

Os poetas não morrem



                                         (n. Loulé, 14/01/1938 - m. Braga 16/05/2024) - pelo poeta


Saltei os cinquenta e acabo de entrar
Na via do mestre onde não há via nem
Glória para além do pé que pisa

As águas que passam. E vou com elas 

Assim leve nos acasos desta viagem

Sem retorno. Abandonei entre as ervas

Os livros de ouro e as moedas

De prata — o palácio do ser enfim desviado 

Das grandes estradas. O brilho das estrelas

Lembra-me que houve uma infância 
indecifrada.
Tanto melhor. Saltei os anos — 

Libertei-me da casca pouco a pouco 

Acumulada. Que mais desejar? Praias 

Desertas? Beber com a lua? Ouço a doce 

Respiração amada; divido com ela

O belo capital que me resta: estas mãos 

Vazias; velas de um corpo que desliza 

Entre as folhas do outono caídas no chão.

                                             Casimiro de Brito

    Conheci Casimiro de Brito pela mão da minha querida Ana Hatherly. Foi um encontro fugaz que, depois, continuou pelo "Facebook"...partiu hoje de Braga, deixando-nos uma obra extensa (mais de setenta títulos) e diversificada (poesia, conto, ensaio...). 
    É, sem dúvida, um dos maiores poetas portugueses dos séculos XX-XXI.