Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165
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sábado, 1 de junho de 2013

Portugal, povo de suicidas



Unamuno

«- Que doutrina horrível! , digo para mim, guardando o jornal no bolso, e recordo Alcácer-Quibir e o rei D. Sebastião, o terramoto desta cidade de Lisboa, D. Pedro V, o Hamlet português e o seu mestre Herculano, cujo soberbo túmulo contemplei esta mesma tarde nos Jerónimos e, por último, torna a surgir diante de mim o enigmático e triste sorriso de Eça de Queiroz.
Entretanto vai e vem a gente desta cidade cosmopolita; parece contente, ri, gesticula, corre para os seus negócios ou para as suas distracções. E um observador satisfeito poderia dizer ao vê-los:
" Este é um povo como todos os outros; aqui não acontece nada."
E, não obstante, o povo desta terra, Portugal, é um povo triste.
Sim, é um povo triste. E daqui resulta o encanto que tem para alguns, apesar da evidente trivialidade das suas manifestações exteriores.
[...]
Portugal é um povo de suicidas, talvez um povo suicida.»

Miguel de UNAMUNO, Portugal povo de suicidas, p.p. 72-73


Fecho o livro. Vou comprá-lo também. Se não me afastar da Feira do Livro, arruíno-me. Hoje, vi Lisboa pelos olhos do iberista.

domingo, 20 de abril de 2008

O Sentimento Trágico da Vida


Salvador DALÍ, «Rosa Meditativa», 1958

«Aquele terrível poeta latino, Lucrécio, sob cuja aparente serenidade e ataraxia epicurista tanto desespero se encobre, dizia que a piedade consiste em poder contemplar tudo com a alma serena, pacata posse mente omnia tueri»
Miguel de UNAMUNO
***
« Ven, perro amigo,
obrero de hermandad entre los hombres,
pues tú nos unes
más que nosotros mismos nos unimos
de proprio impulso»
Miguel de UNAMMUNO, 1906