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| Atenas, Grécia |
Treze horas, pequena aldeia, dia quente de Outubro. Enquanto, lá longe, se agita o mundo em movimentos vertiginosos de um tempo estranho, estou aqui sozinha perante a campa dos meus pais e procuro uma oração. Só penso nesta sensação de quem está só, perante o infinito. Só palavras de vários poetas me enchem a memória...poderia ser de Antero de Quental, poderia ser de Régio, poderia ser de Garrett...todos viveram essa ideia perante um Deus ainda ignorado.
O apóstolo Paulo usou, sabiamente, esse "Ignoto Deo" dos gregos, para difundir a religião nova a que hoje chamamos cristianismo. Ah, onde estará, hoje, a tolerância desses atenienses antigos? Fazem-nos tanta falta!
Opto por trazer à memória José Régio, talvez pela desistência que me invade, neste momento, o espírito e pela certeza que sempre tive de que "Ele" não desistiu de mim.
IGNOTO DEO
Desisti de saber qual é o Teu nome,Se tens ou não tens nome que Te demos,
Ou que rosto é que toma, se algum tome,
Teu sopro tão além de quanto vemos.
Desisti de Te amar, por mais que a fome
Do Teu amor nos seja o mais que temos,
E empenhei-me em domar, nem que os não dome,
Meus, por Ti, passionais e vãos extremos.
Chamar-Te amante ou pai... grotesco engano
Que por demais tresanda a gosto humano!
Grotesco engano o dar-te forma! E enfim,
Desisti de Te achar no quer que seja,
De Te dar nome, rosto, culto, ou igreja...
– Tu é que não desistirás de mim!
José Régio, in 'Biografia'

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