Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165
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sexta-feira, 5 de abril de 2019

Imagine...

Rob Gonsalves


O tempo voa, flui, ocupa-se dos outros. A seguir, escutamos a imensa cacografia do mundo que nos rodeia e percebemos que o tempo voa...É tão bom sabermos que os outros nos esperam, escutam e acreditam, ainda, que temos uma força insuperável. Teremos, nós, essa força? Sem dúvida! 
Estão aí os tempos: são de luxo e de lixo; de pão e de circo; de ideais e de banalidades.
Temos um dever, ainda: o de desocultar a superficialidade para onde nos pretendem atirar as gerações mais novas. Somos guardiões do passado e há testemunhos para legarmos.

Aí tenho estado.


Ana

segunda-feira, 11 de março de 2019

Olhos que pensam

Vladimir Kush 

Humana a condição
daqueles que ousam
um pensamento adiado!
Deserta a escuridão,
superficial e formatada,
dos hedonistas que pousam
a humana insatisfação...



Ana



domingo, 28 de outubro de 2018

Cega e Paralisa


Portinari, Guerra e Paz, ONU



No ano de 1940, um grande poeta brasileiro, escrevia um poema intemporal a que deu o sábio título de «Congresso Internacional do Medo». Imperioso lê-lo, hoje, quando o mundo se agita em desequilíbrios de toda a ordem e no momento em que muitas sombras espreitam. 
O Medo cega e paralisa a consciência humana.



Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.


                                                        Carlos Drummond de Andrade


Portinari FB Mão - Estudo Guerra e Paz
Cândido Portinari, A Construção de uma Mão



“Não, essa ameaça da barbárie fascista não desapareceu totalmente. Por isso, apelamos sempre para uma verdadeira insurreição pacífica contra os meios de comunicação de massas, que, como horizonte para os nossos jovens, só sabem propor o consumo de massas, o desprezo pelos mais fracos e pela cultura, a amnésia generalizada e a competição desenfreada de todos contra todos. A todos aqueles e aquelas que construirão o século XXI, dizemos com carinho: criar é resistir. Resistir é criar”.


Stéphane HESSEL, Indignai-vos!, 2010

domingo, 7 de outubro de 2018

No gume

Pedro Lima


É no limiar do sonho
Na pura escorrência 
Que a luz se inicia

Orvalho da ousadia
Permanência e energia

É no gume do sonho
Na emergência do dia
Que o Amor principia


Ana


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A Vida...

Rafal Olbinski,
"Calendar of Yesterday's Wishes"


Frágil voa para Sul,
Inquieta e ágil...
A Vida, neblina azul.
E o Homem fremente,
Paixão e Razão...
Declina e definha 
A Vida frágil, inquieta,
Precária a Sul...

Ana





domingo, 10 de junho de 2018

Dançante

 Rafal Olbinski, DISAPPEARANCE OF THE WELL INTENTIONED MOTIVE


Sussura sibilante
Uma brisa fria...
Ignora, porventura,
Ciciando o secreto
Segredo ondulante,
A recta via da lonjura.



Ana




terça-feira, 9 de janeiro de 2018

«Vieram uns sábios...»


Giotto, Capela Arena, Pádua, séc.XIV



«Quando entraram em casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e inclinaram-se para o adorarem. Depois apresentaram o que traziam para lhe oferecer: ouro, incenso e mirra. Então Deus avisou-os por meio dum sonho, para não voltarem a encontrar-se com Herodes. E eles partiram para a sua terra, por outro caminho.» 
                                                                                                                    (Mateus 2:11-12)



É admirável como as narrativas se alteram ao sabor das circunstâncias. O Povo di-lo de modo simples: quem conta um conto, acrescenta um ponto. 
Vem isto a propósito daqueles sábios que terão vindo do Oriente até Jerusalém esclarecer uma velha profecia. Somente um excerto bíblico, esse que transcrevo, nos dá notícia de tal acontecimento. Não nos fala de gruta, não nos diz quantos eram, não lhes atribui nenhum nome e, muito menos uma raça humana. Eram sábios, não necessariamente Reis. 
Sim, conheço os escritos apócrifos. Sim, conheço as primeiras representações romanas existentes no Vaticano. Não, o culto a Mitra não deriva neste relato dos,ditos, três reis magos. 
Se representam o senso messiânico dos sábios, óptimo! 

Basta-nos olhar as primeiras pinturas e a iconografia católica e a ortodoxa, para percebermos que, inicialmente, as representações os mostravam em número variável e da mesma origem étnica. 


Leonardo da Vinci, Uffizi, Florença, séc. XV

E o que dizer do quadro inacabado do génio? Tentação de todos os interpretes...ou deste quadro de Sandro Botticelli, no qual a iconografia assume o rosto dos homens da família Médici? 



Sandro Botticelli, Uffizi, Florença, séc. XV


Hoje, a ideia de «vieram uns sábios» é objecto de plástico ou o que mais se possa vender/comprar.  Esta é a narrativa do nosso tempo: entre o folclore e o descartável. 

Ana




quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Aparências

 «O esperado», Ferdinand Georg Waldmüller

O aparente e o verdadeiro lutam para uma confusão constante. A sociedade ocidental formatou, há muito, o nosso olhar. Um universo de aparências povoa os dias e a autenticidade perde-se num mundo de máscaras hipócritas.  Até quando, alimentaremos teias de ignorância? Até quando, pactuaremos com o hedonismo irresponsável? 
O aparente e o verdadeiro confundem contextos e ideais. Banalidades fúteis e lutas necessárias pelo aperfeiçoamento pessoal e social rivalizam em ambientes improváveis. 
Exigências íntimas sabem que o verdadeiro nem sempre é o óbvio, tal como o nosso olhar não pode observar nenhum smarphone no quadro o «Esperado» do pintor escocês do século XIX - mesmo se, observando a menina, formos tentados a criar analogias.
Existem contextos, da nossa época, que crescem num hediondo e perigoso rumo de confusões. 
O anacronismo instala-se...também nas escolas.


Ana

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Traços

Schoen Erhard, 1538






As primeiras  tentativas cubistas do século XVI são impressionantes...
Não costumamos imaginar, assim, a pintura desta época. Desconstruamos o olhar formatado.



Luca Cambiaso (1527–1585)





O Homem...na sua busca de encontrar fábricas de sonhos.



domingo, 5 de novembro de 2017

Muros

Andre Kohn

Talvez o silêncio destes dias claros. Talvez a criança só que te habita, ainda, e sabe que não poderá - nunca - chorar! Talvez esta colectiva viagem de regresso a lugares que julgávamos, há tanto, destruídos...

É este retrocesso dos passos que, incautos, acreditámos ter superado. Afinal, na agudeza deste sol, andámos em redor. 

Aqui estamos! Fragmentos que lutam. Falanges que despertam de casulos inauditos. Pragas que retornam. Líderes que bóiam na sua leveza sem profundidade. Gente que, fútil, tudo apaga na luz deste dia iluminado. 

Como falar-te do futuro? Como dizer-te que és tu o plano do futuro? 

És tu o meu labor de cada dia. Para ti levarei a serena palavra que esperas para poderes tecer um porvir melhor e justo.

Não desistas!

Ana. 

sábado, 16 de setembro de 2017

Sublimando...

Rob Gonsalves



Firmes, os teus passos rasgam uma inquieta solidão. Abre o peito à calada luz que te guia...credo no velho ideal, no sentimento ardente, na claridade azul da madrugada fria! Que importam os brados, que dizem os bardos líricos e narcísicos olhando a própria sombra? Não és um deles. A selva urbana não te intimida,nela os homens afogam os sonhos e viajam em florestas imaginárias onde os medos se escondem... 
Regressa! A lua vai alto e os ideais se acalentam.

Ana

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Da Suavidade

Phan Thu Trang




Íntima e constante música
Que sob os passos silencia.
Doçura secreta e ínfima...
Meiga criança que balbucia!

A crença na Vida te sacia.

Veiga ou vale ou voragem
Deste frémito se anuncia:
Íntima e constante música!

E o Universo se extasia,
Revolver eterno da miragem.


Ana



quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Da Esperança ...

Suibokuga



Talvez brotasse pura...
Incólume como o poente!
Talvez lutasse duramente.
Incómoda palavra...
Necessária na tarde imensa,
Contrária ao silêncio que lavra.
Incómoda palavra...
Talvez brotasse pura
A esperança!

Ana



domingo, 21 de maio de 2017

Inespecífica

Pol Ledent

Corre o vento do Sul, nesta Primavera inespecífica. O labor afoga-nos cada dia. Há um pântano donde, mansamente, emerge a esperança. O Verão vai chegar na surpresa do vento que corre do Sul. 


Ana



domingo, 19 de março de 2017

Da Guerra

O nascimento de Vénus - Botticelli


Não creias nas aparências
Frívolas consciências
Que o mais feio dos deuses
Te está fadado

Vulcano que o fogo acende
Teu marido por castigo
Que trais com Marte
Que a guerra ama

Ah a fútil a inconstante
Humana condição
Que trai em cada dia
A quieta via da evolução.

Ana




Mohammad Mohiedine Anis, senhor de 70 anos que vive em Aleppo, região de conflito na Síria (Joseph Eid/AFP)









terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Ferinos



                                                                           Hans Dahl, pintor norueguês





Nas asas do vento passam os dias.
Breves silêncios deslizam secretos.

São pontos ferinos na réstia de luz!

Quietos os beijos que pedias...
Leves desejos de quem seduz.


Ana

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Sem receio

Luis Dourdil



Andamos sobre a fímbria dos dias e, na distância, procuramos vultos insanos  que nos fazem temer um devir sem esperança. 
Compete-nos não desistir. Compete-nos resistir. 
Que importa se os pés vão nus e o caminho é longínquo?
Caminhamos, ainda, na direcção do ideal. Ao longe, outro mais frágil nos espera. No peito fechámos o alento. No braço empunhamos a serenidade.
Não me digas que, do outro lado, existem muros e que a Humanidade definha rumo a um ocaso qualquer...
Ao longe, ainda arde Alexandria.


Ana



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Regressos

Rob Gonsalves, Sweet city


Na procura de conhecimentos, o primeiro passo é o silêncio, o segundo ouvir, o terceiro relembrar, o quarto praticar e o quinto ensinar aos outros.
Textos Judaicos




sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Cinza

Juarez Machado



Sobre a cinza dos dias...é o tempo que voa, em ruínas.





segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Sobre o arame

AFTER  THE  RAIN  by  Leonid  Afremov



Subi montanhas a pique, como felino nas escarpas. 
Percorri a planície, na indolência do não chegar, perseguindo a linha impoluta do horizonte. 
Pisei, contigo, os glaciares das neves eternas, com um calor íntimo acariciando o peito arfante. 
Verguei os joelhos na busca do não encontro e, por momentos acreditei que Estavas antes daquela perturbação do Nada Inicial que tudo criou nesta velocidade a que vamos, rumo ao indefinido final.
Subi a Acrópole na busca incessante da Sabedoria que aos humanos alimenta. Extasiada, olhei a distância e percebi a precária linha por onde caminhamos. 
Pisei prados transalpinos e areias dos desertos.
Olhei mares de todos os nomes que se agitavam em marés de  ideais antigos.
Teia inacabada da minha humana condição. 

Ana