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| Alvor, 2026 |
Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas
E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
com o poema do tempo.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Olho o mar, posso até vislumbrar Lagos na distância, e penso em Sophia. A vida tomou-me de urgência e o peito inquieta-se de expectativa e de felicidade. Caminhamos quilómetros, mas não somos atletas... ah sim, já fui, e o meu ventrículo hipertrofiado gravou-me na carne esses dias da juventude. Agora, começa a perturbar a minha entrada outonal. Somos folhas que vão tombando. Somos dias que a brisa arrasta para um qualquer caos, na distância. Finitos, lutando contra o caos. A esse clamor chamamos Vida!
Temos o dever da Esperança.

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