Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Rotas de vida

Minho, Julho, 2019


Abate-se sobre nós um tempo remoto, uma memória de tribo e de jovialidade, de sonhos tecidos na luz e, ora, perdidos no silêncio dos anos. Paisagem eterna dos montes que descem de cumes incertos, lugares improváveis para se viver e os rios que cantam nos vales pasmados de verde.
Abate-se sobre nós este sol húmido de florestas desgrenhadas. Eternos e imaturos, frágeis como meninos, os inseguros caracteres de Agustina passeiam em lugares desconhecidos. 
Viagem, rota de vida, que o coração escolheu, mas que não extasia o olhar. Estilhaça-se a memória de um tempo estagnado na luz destes dias velozes.


Ana

12 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...

Quando nada acontece
a memória torna-se frágil
ou fica a recordação do nada
ou fica a recordação de um rio
e, tantas vezes, é o que basta

Larissa Santos disse...

Gostei bastante :))

Hoje:- Faço do champanhe o sorriso, a felicidade [Poetizando e Encantando].

Bjos
Votos de uma óptima Terça - Feira.

Olinda Melo disse...


E assim, seguiremos as rotas do que foi e do que há-de vir,
quais peregrinos à procura de um lugar santo.

Texto maravilhoso, querida Ana.

Beijinhos

Olinda

Edum@nes disse...

Não sejam transformadas em cinza,
verdes paisagens, pura realidade
que tal aconteça ninguém consinta
sendo elas o pulmão da humanidade!

Continuação de uma boa semana amiga Ana. Bjs.

Majo Dutra disse...

Eram encantadores esses montes e vales, de verdura quase virgem
no tempo de Agustina e Torga, mentes fascinadas pela agreste
beleza telúrica das serranias graníticas.
Hoje, todo esse verde corre risco de fogos criminosos...

Ana, agradeço o carinho que registou no meu blogue.
Desejo-lhe umas férias muito agradáveis.
O meu abraço.
~~~

Anónimo disse...

A importância de recuperar a memória história...e de que forma bela, com esta maravilhosa ilustrações.

Beijinho

alfacinha disse...

Felizmente em nossa memória tudo parece mais linda que a realidade .No entanto confesso que essa fotografia refresca espetacularmente minha memória que tinha do Minho
beijo

Jaime Portela disse...

A paisagem (ainda) verde da foto é a mesma que me cerca, que não me cansa e me dá vida.
Viver no Minho é outra coisa...
Do texto, inspiradíssimo, digo apenas que é excelente.
Ana, um bom fim de semana (e boas férias).
Beijo.

Graça Pires disse...

"rios que cantam nos vales pasmados de verde". Talvez no Minho, Ana… O cheiro do fumo quase que nos invade as casas…
Muito belo o teu texto, Ana.
Uma boa semana.
Um beijo.

Acrescenta Um Ponto ao Conto disse...

Caros leitores,

como sempre, é com muito carinho que lemos os vossos comentários e agradecemos as vossas visitas ao nosso 'blog'.
E convidamos-vos, assim, a ler o capítulo 4 de "Variações em Quadrilha".
https://contospartilhados.blogspot.com/2019/07/variacoes-em-quadrilha-capitulo-4.html

Continuação de excelente semana!
Saudações literárias

Mariazita disse...

Estou de regresso, ou antes, estou no intervalo das férias 😊
Depois de todos aqueles afazeres (enfadonhos!!!) de quando se regressa, tenho agora um tempinho para visitar as amigas e amigos que tiveram a gentileza de ir comentar o meu último post.

Lindíssima foto e muito bom texto.
Portugal é um país lindo, de norte a sul, mas o Minho... tem paisagens maravilhosas. Vivi lá parte da minha infância e adolescência...

No próximo dia 01 de Agosto não haverá NANDA, Afinal, a pobrezita também precisa de férias, não é verdade? Fui ao baú e desencantei de lá um conto que vou publicar. Penso que lhe vai agradar...

Continuação de boa semana.
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

João Santana Pinto disse...

Sou um fã da tua escrita... essa é a grande verdade e a vida é feita de memórias e não sei bem porquê, ultimamente tenho "olhado" muito para o passado, talvez a reflexão necessária para olhar o presente.
Muitos beijinhos