Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Da Realidade





Salvador Dalí




Que renda fez a tarde no jardim,
Que há cedros que parecem de enxoval?
Como é difícil ver o natural
Quando a hora não quer!
Ah! não digas que não ao que os teus olhos
Colham nos dias de irrealidade.
Tudo então é verdade,
Toda a rama parece
Um tecido que tece
A eternidade.


Miguel Torga, in 'Nihil Sibi'

terça-feira, 19 de abril de 2011

Páscoa 2011

Trabalho em corda seca
Obrigada, meu amigo e artista, Andrade!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Seder de Pessach - פסח



seder de Pessach
(pão ázimo e vinho kocher)


De dezanove a vinte e seis de Abril decorre o Pessach judaico. 
Portugueses que somos não poderemos mascarar a nossa origem cultural e religiosa.  Como poderemos esquecer-nos  que estamos no Nissan 5771? Quase seis milénios de tradição religiosa e cultural...
Foi no ano 325 da era comum que o Concílio de Niceia estabeleceu  por Decreto, como a data da ressurreição de Cristo, o primeiro Domingo seguinte à primeira lua cheia depois do equinócio de Primavera. Assim, surgiu a celebração da Páscoa cristã católica.

A questão aqui fica, para incómodo:
 - por que motivo se regerá a Páscoa cristã por um calendário lunar?

                                                                            *****

O Seder de Pessach




A palavra Seder significa “ordem” em hebraico, e com este nome denomina-se a ceia festiva da primeira noite de Pessach (na Diáspora a primeira e a segunda), devido à ordem pré-estabelecida que devem guardar todas as bençãos, alimentos, bebidas, etc., desta celebração.


No início da ceia, quem preside (geralmente o pai ou o avô da família) tem diante de si, sobre a mesa, a Keará – “prato” com os símbolos de Pessach.
Entre eles destacam-se:
  • Maror: erva amarga, uma raiz picante, recorda a amargura que sofreu o povo judeu durante a escravidão no Egipto
  • Zroa: osso com carne assada, como lembrança do cordeiro pascal que era sacrificado em Pessach na época do Templo
  • Charósset: uma mistura de maçãs e nozes picadas e amassadas com vinho, simbolizando a massa dos blocos utilizados no trabalho dos nossos antepassados no Egipto
  • Carpás: verduras que se molham em água salgada – símbolo das lágrimas dos escravos no Egipto e as águas do mar que abriram passagem ao povo judeu
  • Betsá: um ovo, lembrança dos sacrifícios da festa
  • Chazéret: alface romana, que será utilizada como uma segunda porção de Maror

Complementam a mesa do Seder três Matzot colocadas uma em cima da outra (símbolo dos três sectores do povo judeu: Cohanim, – “sacerdotes” descendentes de Aarão; Leviim, – “Levitas”, os filhos da tribo de Levi; e Israel todo o resto do povo), uma taça de vinho especialmente reservada para Eliahu Hanavi, o profeta Elías. Acredita-se que ele chega simbolicamente a cada lar judeu para participar por uns instantes junto com os presentes da noite do Seder. E finalmente as taças de vinho para todos, os quais se beberá, sucessivamente quatro vezes durante a noite. Essas quatro taças de vinho celebram a libertação dos judeus da escravidão do Egipto, quando D’us promete aos nossos antepassados: ‘eu sou o Eterno ; e vos tirarei de baixo das cargas do Egipto e vos salvarei do seu serviço, e os redimirei com braço estendido, e com juízos grandes. E vos tomarei por meu povo” (Shemot- Êxodo 6.6-7).
Um dos principais símbolos da noite do Seder é a Matzah*. No dia anterior a Pessach o consumo da Matzah está proibido, para estabelecer assim uma diferença entre as Matzot que se podem comer livremente durante o resto do ano e as que serão comidas na festa de Pessach como lembrança especial do Êxodo do Egipto. A Matzah também se denomina lechem oni, “pão da pobreza”. Na noite do Seder o consumo das Matzot inicia-se no meio da cerimónia, junto com a ceia.»

FONTE: COMUNIDADE JUDAICA MASORTI - LISBOA 


* sem fermento.



domingo, 10 de abril de 2011

Instantes




O mês de Abril devolve-me a infância. Não importam os idos. Não importam as vozes desafinadas de nórdicos poderosos e pálidos, nem o tom submisso e delirante de nativos que, bêbados de sul e de sol, construíram estonteantes castelos de nuvens. 
Basta-me o mês de Abril, um céu límpido de azul duro e impoluto, este cheiro forte de rosas abertas e de estevas floridas e quentes. Um falcão peregrino que esvoaça alto recordando-me as origens e este ar quente que me renova a vida.



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Ana                                                                                                                              Fotos: José Alves

sábado, 2 de abril de 2011