Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Tantas coisas...

Ilha Folegandros, Grécia


    Passaram muitos dias e eis-me de regresso. Não, não estive em Folegandros, nem as minhas geometrias foram assim brancas na sua pureza inicial e limpa.    Quando os dias me reclamam, refugio-me em doces memórias gregas, ou em pesadas leituras.
    
    Com a minha anterior publicação gerei confusões, por se tratar de uma republicação. Foi, tão só uma breve despedida de Edgar Morin, que na Feira do Livro de Lisboa, em 2024, me surpreendeu no Pavilhão das edições Piaget, com aquela obra, escrita já depois dos 100 anos, de uma enorme síntese mental, lúcida e certeira. A sua actualidade é merecedora de uma leitura reflexiva.

    E, na Feira do Livro, este ano, lá estive a cumprir o contrato com a minha pequena editora independente, mas que apostou em mim com uma edição tradicional. Os afazeres, tão diversos, que preenchem o meu quotidiano, não me permitiram vir aqui deixar este convite:


    
    A responsável por tudo isto lá esteve e foi o incentivo para me recordar quem sou: esquivo animal de província, que não procura a fama nem os prémios, mas que ama e acredita que a vida vale a pena.


Madalena, ao centro (com amiguinhos)


E, no meio dos passantes, desconhecidos para quem escolho palavras simpáticas, mas inócuas...surgem rostos de amigos!

A ventania não ajudou o esforço das cabeleireiras :)


Grata!


    Aquela que escreve não é esta que sou. Ocorre-me, então, um poema de Eugénio de Andrade de que muito gosto. Nele, bem se define o que penso sobre o que é a poesia. 

    Na próxima edição, vos darei nota de uma maravilha que, hoje, me chegou a casa.

    Por hoje, já mesclei muitos assuntos. Irei respondendo às vossas amáveis visitas, quando este calor do meu Alentejo me der alguma trégua - ao serão.

            Fiquemos, por ora, com essa poesia que anda descalça...e livre de certames.


A poesia não vai à missa,
não obedece ao sino da paróquia,
prefere atiçar os seus cães
às pernas de deus e dos cobradores
de impostos.
Língua de fogo do não,
caminho estreito
e surdo da abdicação, a poesia
é uma espécie de animal
no escuro recusando a mão
que o chama.
Animal solitário, às vezes
irónico, às vezes amável,
quase sempre paciente e sem piedade.
A poesia adora
andar descalça nas areias do Verão.

                                     Eugénio de Andrade

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