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| Ana Luísa Amaral, Jornal de Notícias, 6-8-2022 |
Tinha agora um ar cansado, estava magra e envelhecida...como poderia ter só 66 anos? A doença levara-lhe aquele ar que habitou as minhas aulas e os recursos que a colocavam a falar na primeira pessoa para os meus alunos. Todos se aperceberam que a sua poesia era muito hábil, por vezes genial, com a mestria de quem conhecia muito bem outros autores e, também ela, os ensinara a outros alunos. Todos se aperceberam que ela nunca suplantou o meu amor por outros poetas, mas o ser feminino e doméstico de onde retirava as suas representações de poeta eram admiráveis e surpreendentes. Representações inesperadas e surpreendentes transfiguravam o quotidiano em densidade do imaginário. A sua caligrafia fluída como a fragilidade da Vida.
Que ano este, feito de partidas! Valha-nos a ideia de que nem os poetas, nem aqueles que muito amamos caem no esquecimento.

