Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

domingo, 19 de junho de 2016

Recordando...

Salvador Dalí, 1936 (O Grande Paranóico)

« Eis o espectáculo do mundo, meu poeta das amarguras serenas e do cepticismo elegante. Desfruta, goza, contempla, já que estar sentado é a tua sabedoria...», J. Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis



Sol




domingo, 12 de junho de 2016

De regresso a Portugal e ao tempo de Pessoa...









CXXXVI
I

Nunca persegui la gloria
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles
como pompas de jabón.
Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebararse.



(página, 174)




quinta-feira, 2 de junho de 2016

«Lamber as botas»

François de Nomé (1593 – 1620)/Monsú Desiderio

Acontece-me pensar na fragmentação enquanto forma de dissolução das sociedades. As fracturas são feridas que se instalam no seio dos pequenos grupos organizacionais e ilustram a decadência. Pseudoafinidades são jogos de interesses miudinhos e formam células de podridão que servem uma influência narcísica e frágil. Dúbias figuras transversais sobem nas hierarquias, como lesmas, na baba que segregam. Deslocam-se em todos os grupos sem qualquer sentido de pertença ou de Ideal - sem gnose e sem fé.

Cheguei a um tempo reflexivo. Observo e laboro com o mesmo afecto. Concluo da ausência das Humanidades e deste efeito catastrófico, desta futilidade vigente que tudo mistura, deste nulo em que se afundam as sociedades ocidentais, os seus grupos sociais, principalmente os profissionais...

Só quem não conhece o fundamento vão do absolutismo, ou não leu o seu mentor, poderá passar à margem do velho escrito civilizacional que, hoje,  no final de mais um ano lectivo, aqui vos deixo.

vanitas vanitatum et omnia vanitas

(Vaidade das vaidades, e tudo é vaidade.)

 Conclusão melancólica do Eclesiastes (XII, 8), sobre a pequenez das coisas deste mundo.


Ana

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Oração poética


Pavia, José Alves


Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes;

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além.

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o amor tem asas de ouro. Amém.


Natália Correia


Nota: dias amarelos...o meu amarelo é alentejano e é ocre.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

O silêncio que grita

Montargil, José Alves

Espraio por ali o olhar. Alongam-se os dias sobre tardes azuis que escurecem lentamente. Gosto da lentidão plana, dos olhos que falam, dos lugares vazios, desta vaga angústia que me fala dos anos que passam e daqueles que partem...
Ânsias ruidosas assolam quotidianos febris.

José Alves