Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

E@D

 

Rob Gonsalves


TEMPO

 

Tempo — definição da angústia.

Pudesse ao menos eu agrilhoar-te

Ao coração pulsátil dum poema!

Era o devir eterno em harmonia.

Mas foges das vogais, como a frescura

Da tinta com que escrevo.

Fica apenas a tua negra sombra:

— O passado,

Amargura maior, fotografada.

 

Tempo…

E não haver nada,

Ninguém,

Uma alma penada

Que estrangule a ampulheta duma vez!

 

Que realize o crime e a perfeição

De cortar aquele fio movediço

De areia

Que nenhum tecelão

É capaz de tecer na sua teia!

 

Miguel Torga, Cântico do Homem, Coimbra editora, p.p. 51-52


Muito devagar, muito devagar...que agora os dias do Ensino à distância nos maceram o olhar, difícil é chegar até este Sul. Muito lentamente irei saldando a minha dívida de visitas às páginas amigas.

                                                                Saúde!


18 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...

Se com Torga
me pagas
o preço da tua ausência
posso dizer-te
que a nossa conta-corrente
está saldada

Ou, melhor dizendo
eu é que fico devendo

Saúde, da boa!

chica disse...

Lindo poema escolhido e que bom te ver! Fazia tempo ! beijos, bons trabalhos por aí! chica

Maria João disse...

Torga sempre foi um dos meus poetas favoritos.

Li-o tanto ou mais do que li o meu avô...

Obrigada e um abraço, Ana!

Elvira Carvalho disse...

Gostei desta sua escolha, embora para ser sincera, gostaria de qualquer outro poema que postasse de Miguel Torga que é um dos meus poetas de eleição.
Abraço e saúde

Majo Dutra disse...

Neste tempo enclausurado e adiado, deliciou-me reler e apreciar o poema de Torga...

Espero por ti o que for preciso, querida amiga. Beijinhos
~~~

Mar Arável disse...

Boa partilha Bj

Gracita disse...

È sempre um prazer ler um poema tão belo
Ana, grata por sua visita ao meu blog e sua apreciação ao poema da querida amiga Elvira
Seja sempre bem vinda ao Sonhos e Poesia
Um maravilhoso fim de semana
Beijinhos

J.P. Alexander disse...

Bello te mando un beso
Enamorada de las letras

Luiz Gomes disse...

Bom dia Ana, obrigado pelo maravilhoso poema.

São disse...

Torga sempre me agradou.

Minha querida amiga, abraço estreito e solidário nestes tempos complicados .

Bom fim de semana :)

Olinda Melo disse...


Miguel Torga aqui num dos seus melhores poemas.
Que melhor definição para o Tempo, essa entidade
que transcorre inexorável sem atender às nossas
razões?
Adorei a tua escolha, querida Ana.
Beijinhos
Olinda

Fê blue bird disse...

Não podias teres escolhido melhor poeta e melhor poema querida Ana.
Vem ao nosso encontro, ao teu ritmo...

"Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade."
Miguel Torga

Um beijinho

© Piedade Araújo Sol disse...

Uma bela escolha de um grande poeta.
Obrigada pela visita e comentário tão generoso que agradeço imenso.
Bom domingo!
Beijinhos
:)

Graça Pires disse...

Ler Miguel Torga é sempre um gosto, qualquer coisa que nos faz bem. Que bom encontrá-lo aqui.
Uma boa semana. Muita saúde.
Um beijo.

Fá menor disse...

Um belíssimo poema a ilustrar este tempo que nos entisica.

Boa semana! Levezinha.

Beijinhos

AC disse...

O ensino quer-se presencial, prático, físico...
Pronto, há as circunstâncias, e mais vale um E@D que uma aprendizagem a voar. Porque nunca se sabe onde vai parar (saco roto?).
Para além das evidências, fixo-me nas tuas palavras e no quanto elas encerram. O teu Sul tem uma guardiã de se lhe tirar o chapéu.

Um beijinho, Ana :)

Jaime Portela disse...

Excelente escolha poética.
O ensino à distância, com a experiência que tenho dos meus netos, é deveras pesado. Para os professores, para os alunos e para os acompanhantes das crianças. Mas isto vai passar...
Bom fim de semana, querida amiga Ana.
Beijo.

João Santana Pinto disse...

Miguel Torga no seu melhor e a verdade é que quanto mais a vida avança mais difícil se parece tornar a gestão do tempo.

E não sem alguma ponta de ironia, os últimos 12 meses, em grande parte em confinamento, forçado ou voluntário, revelaram-se particularmente pouco produtivos.

Um beijinho para ti