Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Nós lembramos


Sandro Botticelli, O Abismo do Inferno, séc. XV-XVI


    Há qualquer coisa, na indumentária deste senhor, que deveria ser analisada, pois a Semiótica é uma ciência, não um acaso.

Jornal Observador

a “memória não é passiva”
in:

    Judeus, ciganos, negros, testemunhas de Jeová, homossexuais, pessoas com deficiência, alemães e opositores ao regime, minorias, pessoas doentes e debilitadas, doentes mentais, alcoólicos, algumas minorias eslavas, muitos polacos...e tantos outros, no ódio violento e ideológico...

UNESCO 

    Que o anti-semitismo vigente não nos cegue!
    Que a "ditadura da felicidade" ou a "cretinice digital" não nos volte a atirar para o abismo!


terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Frio Janeiro



SIC- notícias (Nuvem prateleira sobre Ponte de Sor), Jan. 2026



FRIO JANEIRO 

Frio e luminoso mês de janeiro 
Em que as trevas assolam o país, 
Horizonte largo de brilho derradeiro 
Onde a Justiça se confunde na raíz. 

Frio ardiloso e este sol rotineiro 
Que pisa a herança da sua matriz. 
Sonho largo, abraço verdadeiro, 
Afeto, linha pura que sempre quis. 

Ergue-te e vela, a tirania espreita!
Ergue-te e sonha o largo horizonte 
No moribundo país que se estreita! 

Além na colina e aqui neste monte, 
Tua coluna frágil, moldável, endireita 
E olha em frente da tua reta fronte! 

                                                                     
                                 Ana Tapadas, SUL SERENO, p.52


    Caiu granizo e uma chuva intensa, e as nuvens partiram, a madrugada trouxe, então, as cores do improvável. O improvável está sempre à espreita e, na primeira ocasião, instala-se.


Hoje, de madrugada. 



    Não gostaria de envelhecer no país em que fui criança!
               (Sim, é uma metáfora.)

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O Regresso

 


Judith Bergerson


Como quem, vindo de países distantes fora de
si, chega finalmente aonde sempre esteve
e encontra tudo no seu lugar,
o passado no passado, o presente no presente,
assim chega o viajante à tardia idade
em que se confundem ele e o caminho.

Então entra pela primeira vez na sua casa
e deita-se pela primeira vez na sua cama.
Para trás ficaram portos, ilhas, lembranças,
cidades, estações do ano.
E come agora por fim um pão primeiro
sem o sabor de palavras estrangeiras na boca.

Manuel António Pina (1943-2012)
Como se Desenha uma Casa
(livro também integrado na antologia Todas as Palavras)


Meus amigos, que o ano novo (que teima em envelhecer-nos) nos traga saúde.