| Deserto do Neguev, 2019 |
Passaram-se os dias e o Rara Avis sempre assim foi - silencia-se quando o labor dos dias me solicita até ao excesso. Os meus amigos já conhecem o significado da minha ausência: é a vida a clamar por mim.
Tanta coisa aconteceu, entretanto! Depois dos muito quilómetros, de tanta luz a ferir o meu olhar, cá estou de regresso.
Resta-nos florescer no deserto! Talvez, naquele sentido da grande resiliência perante as tantas adversidades e tamanha aridez - a velha lição do Livro.
O sangue das guerras e o grito dos homens não parecem suficientes para calar o velho Deus - haverá, ainda, um Justo?
Quando, quase criança (culpa das bibliotecas itinerantes da Gulbenkian) lia Rousseau, estava longe de imaginar no que se transformaria a sociedade e a natureza humana de alguns líderes sociais. Esse velho suíço (antes da Suíça) bem nos avisou que, sem uma sociedade que não corrompa a natureza humana, o Estado deixa de sobreviver. Talvez, por isso, o perseguiram e chamaram de "impostor". Conhecemos os seus limites teóricos e não é disso que aqui falo, já se sabe...