Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165
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domingo, 9 de agosto de 2020

Do Líbano

Arte fenícia ou dos cananeus - libanesa
Helen Zughaib, pintora libanesa


DEIXO-LHE MEU CORAÇÃO

O que tu perguntas
por ódio, meu irmão?
Já te deixei, em cima dos meus lábios ardentes,
entranhas destruídas no lago
e na praia, latejando, pedaços de minha pele.
Eu morro no limiar da tua pátria.
A espada das tuas gerações
descansa no meu pescoço
e o chicote dos teus ancestrais açoita-me.
Eu morro sob teus pés
para saber as tuas línguas,
para misturar o gelo de inverno
e brotar na primavera
fiz um casulo com tuas flores.
As folhas das árvores murcham,
mas suas sementes são
o eco inextinguível da terra.
O coração me invade
enquanto tu contemplas,
agora que eu lentamente desligo e
os seus corpos crescem diante dos meus olhos.

Said Akl (poeta libanês, m. 2014 em Beirute aos 102 anos)


P.S. Estou de volta e correu bem, outra vez. 


Obrigada pelo apoio e paciência.

sábado, 13 de outubro de 2012

Rainha de Portugal

Vaticano, José Alves 

Aquela que eu fui nunca decorou credos nem cânticos.


Cabeção, José Alves

O descampado sempre trouxe o eco e o balir manso dos rebanhos e levou dispersas nuvens para a distância azul infinita, rasgada por aves de rapina. Aquela que eu fui vai, agora, na peregrinação íntima, rumo ao lugar onde se guardam as pedras angulares que os construtores desprezaram há muito.


Belmonte, José Alves

Sabe que nunca chamará Deus por um nome, pois a sua divindade excede a linguagem tangível das metáforas humanas. Aquela que eu fui conhece lugares que os credos habitam, mas varou a planície e subiu às montanhas ouvindo sermões da religião nova.


Grécia, José Alves

 Pisou os caminhos, em noites de Inverno, estalando a folhagem que as botas calcavam. Pronta a partir, sabendo que, em qualquer lugar, os olhares guardam ainda o brilho da Humanidade.
Aquela que eu sou habita o silêncio e sabe que os seres se refugiam no medo, mistério tremendo, arquitecto secreto da fé destes homens. Num lugar distante, talvez ainda encontre a secreta mensagem, inviolável, porém.


Mar Egeu, José Alves

Filha da Ibéria, herdeira do Mediterrâneo, virada para sul, bem pode o filósofo clamar-me hiperbórea (engana-se outra vez). Não me atraem druídas, nem bosques encantados.

José Alves

Tu, celebra o fim das colheitas, que o outono acolhe. Nome de mulher, fenómeno de luz, filha de Maomé com beleza sublime, desfia o luar não cegues os homens.
 Homem, responsável, não mintas assim que o velho Deus - se crês - te ouve!

 Este é o Reino, esta é a Hora.


Ana


*Especialmente dedicado ao cardeal patriarca de Lisboa que, em Fátima, falou de forma ignóbil, tornando ainda mais controversa a velha expressão: ««Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.» (Mateus 22:21)[1] (em grego:Ἀπόδοτε οὖν τὰ Καίσαρος Καίσαρι καὶ τὰ τοῦ Θεοῦ τῷ Θεῷ). O episódio aparece em Lucas 20:20-26Mateus 22:15-22 e Marcos 12:13-17.», wiki

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=2825411

domingo, 1 de julho de 2012

Tensões

José Alves
Têm sido longos dias de clausura, num trabalho de formiga sigilosa. É assim, nesta época em que começa o Verão e já não voamos pelo mediterrâneo para recuperarmos sabores e autenticidades, porque agora este trabalho que me tem afastado do blogue é escravo como o de qualquer pedagogo grego da Antiguidade. O país mirra devagar e os sonhos moram cada vez mais longe. Felizmente, resido numa parte da Europa onde a vinha, a oliveira e o trigo germinam a recordar-me esse sentimento de pertença anímica. Por sorte vivo num lugar em que o Festival Sete Sóis Sete Luas me traz, nas longas noites, um eco dessa cultura que considero Mãe.
Ontem, quebrei a clausura e lá estive, montada no sonho de um futuro melhor e mais autêntico. A língua belíssima da Sardenha levou-me mais além deste escurecido rectângulo...
Um dia sobrevoei a ilha, rumo a outras ilhas mais distantes. Um dia, espero, ainda caminharei nas veredas sardas.


Genuína alma mediterrânica...