Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Decadentes milenares

jfrodrigues@stny.rr.com



Traz-me os dias claros, tecidos de fios luminosos. Um frio fino tomou conta do poente. As manhãs cobrem-se de um vítreo polar. Os meus passos estalam no silêncio. Caminho em frente e um turbilhão afunda-se na injustiça invertebrada. Seres de palavras urdem promíscuos arrazoados  obscuros. A mentira sobrevoa as mentes dominadoras e seres plastificados reciclam-se a cada instante. 
Traz-me os dias claros que a revolta já domina e as manhãs de orvalho crescem no rumor da bruma.

Ana

sábado, 1 de dezembro de 2012

Da memória histórica ...após quase 870 anos

José Alves, Fronteira, Alentejo

Confesso, hoje, a minha tristeza e revolta. 
Tristeza, pois faz hoje anos que a minha querida avó Ana partiu para sempre.
Revolta, porque sem orgulho vos revelo que levei quatro anos da minha vida a construir uma dissertação sobre André Rodrigues de Matos, académico, poeta e tradutor que me ensinou, de perto e com algum sofrimento o estro restaurador. 
Poderia, pois, deixar aqui palavras bonitas sobre o tema, eivadas da afectividade que a data me evoca. Poderia, talvez, tentar um poema...
A avó partiu serena, enquanto dormia, aos 91 anos e é-me suave a sua recordação.

A revolta é o que me resta, neste 1.º de Dezembro em que, como povo, abdicamos oficialmente da memória. Não, não me incomodam os castelhanos...

Ana


sábado, 24 de novembro de 2012

Hino à Razão


Rapto de Europa, Fresco em Pompeia

Razão, irmã do Amor e da Justiça,
Mais uma vez escuta a minha prece.
É a voz dum coração que te apetece,
Duma alma livre, só a ti submissa.

Por ti é que a poeira movediça
De astros e sóis e mundos permanece;
E é por ti que a virtude prevalece,
E a flor do heroísmo medra e viça.

Por ti, na arena trágica, as nações
Buscam a liberdade, entre os clarões;
E os que olham o futuro e cismam, mudos,

Por ti, podem sofrer e não se abatem,
Mãe de filhos robustos, que combatem
Tendo o teu nome escrito em seus escudos!


Antero de Quental


Desde menina que gosto de decorar poemas de Antero. Há na sua poesia, como na de Herculano, um tom elevado que me atrai profundamente, como se as palavras conservassem ainda o valor do Ideal.
No cinzentismo desde dia e destes tempos, só Antero me inspira ainda, mesmo se lendo notícias por aí as vejo ilustradas assim:


Hélas!

Ana


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

@migos

José Alves


O mês de Novembro pode ser muito triste. Tem brumas e sonhos e frios inesperados. Tem luzes e sombras que tudo cobrem de surpresa. E tem dias cinzentos que se alojam no mais profundo de nós.
@migos vêm até nós, sem rosto, sorrindo. Depois, partem para sempre. Um dia partiu os Cesc (http://cescginesta.blogspot.com) da sua Catalunha natal. Agora partiu Christine (http://alzira.canalblog.com)...através dela conheci recantos de Bruxelas, como só o seu olhar podia retratar.
Ficamos, então, a sentir que a Amizade existe para lá do rosto e do encontro físico. A fraternidade está onde colocamos o nosso coração.

A vida é frágil, mas perfumada como os meus jasmins outonais.

Cultivemos, pois, a @mizade, meus queridos amigos.

José Alves