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| Cesare Marchesini |
Lembro-me de dias, assim, semeados na distância. O paraíso instalava-se e o teu rosto claro reflectia um brilho novo. Viajávamos durante a noite, cruzávamos uma fronteira e outra e outra. O ruído vigilante dos aduaneiros, os papéis, os carimbos coleccionados num passaporte de capas negras.
À noite os corpos jovens e vigorosos descansavam sobre essas terras descobertas.
Calcorreávamos cidades desconhecidas, sorriamos a estranhos e confiávamos nos seres humanos em geral. O futuro estava à nossa frente como as imensas estradas do sul desta Europa perene de fragrâncias. Na Provença nos amávamos e na Toscana sonhávamos um retorno que já aconteceu outras vezes, pois é sempre como voltar a casa.
Lembro-me de dias, assim, perenes de uma luz que só a esperança sabe acalentar. E nós, que ainda aqui estamos e que lutámos por ser quem somos, não iremos desistir.
Ana
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| Cesare Marchesini |





