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| FLOWN WITH THE WIND Vladimir Kush |
Ninguém nos poderá delapidar esta tarde rósea em que somos a brisa morna da planície. Fremente, a floração aguarda só mais um dia de sol. É essa liberdade de águias que nos crava no peito a esperança, mesmo quando todos imploram e sibilam a pobreza futura. É o velho orgulho da mestiçagem destes sangues, tão mesclados, que nos adoçou a voz e a tolerância sem submissão. Percorro contigo a vastidão destes lugares, sentindo a energia renovar o meu ser de criatura do Sul e, subitamente, um poema de Nemésio ajusta-se ao momento. Em surdina, habita-me o instante:
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Cruel como os Assírios,
Lânguido como os Persas,
Entre estrelas e círios
Cristão só nas conversas.
Árabe no sossego,
Africano no ardor;
No corpo, Grego, Grego!
Homem, seja onde for.
Romano na ambição,
Oriental no ardil
Latino na paixão,
Europeu por subtil:
Homem sou, homem só
(Pascal: "nem anjo nem bruto"):
Cristãmente, do pó
Me levante impoluto.
Vitorino Nemésio





