Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Territórios disputados



RTP

Depois de mais um dia longo de secura e Sol, de preocupações diversas e momentos de breve felicidade, repenso como uma pandemia tantas vezes se prolonga em caminhadas assassinas de lagartas de colunas militares...lições da História - cada vez menos estudada nos bancos do nosso sistema educativo.

Há dias assisti a um documentário sobre a Eritreia e percebi que nem uma só vacina para a covid-19, nessa parte do mundo, fora administrada - um horror sobre todos os que, ali, vi.

Como pode o ser humano não respeitar a vida e a paz de outro ser humano? 

Agora, vendo notícias preocupantes, quando procuro descortinar pelo meio das ondas de propaganda e de medo legítimos, o meu computador devolve-me o mapa dos territórios disputados aí pelo planeta que, juntos, habitamos. (Deixo, aos mais curiosos, um link na legenda)

http://metrocosm.com/disputed-territories-map.html

Hoje não acontece o poema. Mesmo que empenhado, ele seria fútil. Mesmo que com as palavras exactas, ele seria o verniz balofo de uma desumanidade anunciada. Não me apetece a Poesia, quando a Humanidade teima em desperdiçar o planeta que pisa e o sopro de vida a que cada um de nós é dado o direito de possuir.

Eu já pisei territórios disputados, ouvi rajadas e vi destroços. Não içarei, por aqui, nenhumas bandeiras, pois elas são, tantas vezes, a mortalha dos homens!

Ana


Post scriptum: não é desânimo, mas revolta.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

A morte aos 27 anos

 

Sebastião da Gama, n. 10/4/224 - m. 7/2/52, in Presença





sábado, 29 de janeiro de 2022

Sugestão de leitura

 



Não sendo o ensaio sobre religião um tema muito relevante nas minhas leituras, este é um livro com uma abordagem tão invulgar o quanto o senso comum nos dita a sua verdade incontestável. 
Construído sobre o mandamento "Não matarás!", vai ilustrando a violência civilizacional cometida em nome das religiões do Livro. As religiões, enquanto justificação para o ódio e a violência, são o que se vislumbra se nos debruçamos sobre a varanda da História.

"Imagino que uma das razões pelas quais as pessoas se agarram aos seus ódios tão teimosamente se deve a sentirem, uma vez o ódio desaparecido, que serão obrigadas a lidar com a dor" James Arthur Baldwin (o.c.,página 229, cap. 14).


terça-feira, 21 de dezembro de 2021

À Amizade!

 



São longos os dias de trabalho e curtas as horas...mas a AMIZADE não se esquece!


BOAS FESTAS, MEUS AMIGOS.

MUITA SAÚDE.



Depois eu voltarei.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

E quando vive?

 

Jury Annenkov, 1918


Faltam alunos na sala. O Sol outonal doura, levemente, o ambiente interior. Uma suavidade na dureza dos dias. A calma, o receio e o entusiasmo do início do ensino secundário alargam o texto até à vila de Avis, aqui tão próxima, e levam, num voo rasante de pássaro deste Sul indomável, até ao silêncio pacífico e cheio do interior da Torre do Tombo, em Lisboa. Fernão Lopes é matéria dura para jovens de quinze anos pós-modernos! 
M. não está presente, a irmã mais nova está com covid19 - ela e a turma inteira, confinaram-se. Outros três lugares estão vazios, na pequena sala em que vinte e sete alunos se amontoam atrás das máscaras azuladas. Em anos anteriores, essa prótese ainda tinha laivos de adereço e moda. Agora não! Luta-se pela assepsia, desesperadamente.
O conhecimento encolheu. A Gramática perdeu-se, mesmo se a História da Língua ainda fascina alguns deste alunos de Ciências e Tecnologias. Desdobro-me para cativá-los, como a Raposa no Principezinho de Antoine de Saint-Éxupéry.




Subitamente, J. que tem um interesse habitual por História, não resiste a perguntar-me se já estive dentro da Torre do Tombo. Digo-lhe que sim, que por força de quatro anos da minha vida de estudos lá entrei e estive muitas vezes. Então, olha-me em silêncio e remata entre  a interrogação e uma ironia piedosa:
- E quando vive, professora?

Todo o dia pensei na interrogação arremessada por esta menina sábia e frágil. Que lição!

Ana