Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

À revelia...


(google, pintores portugueses)


O meu país é, agora, um lugar de sonhos desabitados.



sábado, 8 de setembro de 2012

Austeridade

Carlos Silva, pintor peruano

Assim vai terminando o Verão. Sopra um aflitivo vento suão a impelir a revolta. Os corpos extenuados pelos dias lassos, a  mais de quarenta graus, parecem recusar o retorno ao lugar onde se esvaem os sonhos no futuro. Restam as memórias de tempos outros. Urge ser estóico, urge uma ataraxia simples de remotas ilhas...
Sopra quente este suão, amigo das tardes tórridas e do desespero dos aflitos. Frugais foram as quase inexistentes férias. Somos PIGS, senhora, e nos areais infindáveis, como mamutes, se estendem os corpos fatigados. Debicamos uvas, celebramos Dionísio. Assim terminamos o verão.

                                                                                                                                             Ana


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Notas de Leitura 2



Dias longos de Verão começam a declinar. Declínio parece ser um estado geral. Tudo definha na ressequida natureza até que tombem as primeiras chuvas outonais, doces, cheirando a palha molhada e terra sequiosa.
Até lá vou lendo, lendo como sempre e compulsivamente. Por causa de desígnios profissionais [quase nem valeria a abnegação neste duro tempo] leio agora uma obra extraordinária, aqui fica uma nota:

Para qué llamar caminos
a los surcos del azar? ...
Todo el que camina anda,
como Jesús, sobre el mar.

(Antonio MACHADO)

o.c., pág. 15



Ana

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Ainda antes de chegar...

Astúrias

Chegarei ainda antes de lá estar.




 Levo o sol e levo o sonho, alguma espera no olhar...


Llanes, Buelna, Astúrias (google)


Há muito li o que agora me leva lá...



Até breve, meus amigos.



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Lupis...




«Em A Montanha da Água Lilás, fábula para todas as idades, o escritor angolano Pepetela conta a estória de uns seres cor de laranja, os Lupis, que pensavam, falavam e trabalhavam como os homens. Mas «não são homens, porque se chamam Lupis». Certo dia, os Lupis descobrem uma fonte de onde jorra um misterioso líquido, cujo perfume é inebriante - a água lilás. E deixaram de viver em perfeita harmonia ... Este livro, não é apenas uma fábula para todas as idades, tal como o subtítulo parece indicar, é um retrato intemporal da sociedade humana e da crescente desigualdade social».

Poderia ter começado assim uma das minhas aulas e, muito provavelmente, comecei. Poderia vir aqui sugerir a leitura desta maravilhosa obra intemporal de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, esse estudante da Casa Do Império, que depois se tornou conhecido como Pepetela - pestana, na sua língua umbundo. Nem mesmo de Angola vos venho falar.
O calor, a timidez de um Verão em crise, a monótona modorra destes lugares e as férias que chegaram, finalmente, levam-nos a curtas fugas por cidades vizinhas - Lisboa, Badojoz, Évora ou Cáceres...um pequeno mundo que nos fica próximo. Hoje foi um desses dias.
José, menino homem, sempre em ternuras delicadas, tenta presentear-me. Resisto. Abomino o consumismo e o excesso. Trinta anos de caminho conjunto já o ensinaram que só não saberei como negar-me a um perfume. Sempre fui de odores, não por algum resquício de vaidade, mas pelo poder evocatório que detêm. Eles são a água lilás da minha memória, têm nomes banais, mas escrevem a minha história: Bien Être, sobre as rendas brancas de menina; Lavanda Inglesa, sobre o meu duche de atleta juvenil; Nau, de adolescente inquiridora; Anaïs do tempo de trabalho e Éden, quando o sol assoma diariamente e o calor aperta, levando-me a outras paragens. Assim será.

A meu lado, uma avó paga o seu perfume. São 145 €, diz-lhe a lojista. 
- Passe-me tax free, se faz favor.
A menina pergunta - lhe:
- Para que país?
A resposta surge, pronta:
- Moçambique.

 A Montanha Da Água Lilás acaba de se ilustrar na minha presença.


                                                                                               Ana