Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

sábado, 21 de março de 2020

POESIA IMORTAL

«Safo admirando Alceu», Lawrence Alma-Tadema
«Dizem que há nove musas, que falta de memória! Esqueceram a décima, Safo de Lesbos» (Platão)


..........Só hoje sei o que é ser deus… Quem é esse homem que está sentado na tua frente enquanto tu falas descuidada e ris de maneira encantadora? 
..........O meu coração bate-me descontroladamente no peito e eu pergunto-me, tentando sondar este mistério: 
...........Que se passa comigo, se, de repente, me vejo a habitar um mundo deserto, se os meus ouvidos parecem feitos de zumbidos e os meus olhos já não servem para ver, se a própria boca indomável das palavras emudeceu? 
...........Como entender este tremor louco sem febre, este gelo que me inteiriça os membros a par deste fogo que pega na caruma interior das minhas veias, este ficar mais verde do que a erva, esta proximidade constante de morrer? 
..............Dizem que tudo se deve suportar. Mas para quê?
                                                                            
                                                               (fragmento 2 D)

Adaptação de Manuel Pulquério, Univ. Católica




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Safo terá vivido no século VII AC e é a Poetisa. A poesia clássica ainda é inigualável. 
Como ousaria, eu, corromper este Dia com a banalidade ou a imitação da lírica pós-moderna?




BEM HAJAM! 









quarta-feira, 11 de março de 2020

Pandemia...

 María de los Remedios Alicia Rodriga Varo y Uranga
N. 1908, Anglès (Gerona), España
M.1963, Ciudad de México, México

Gostaria de um discurso íntimo e feliz. 

Remedios Varo

Gostaria de falar-vos destas pintoras invulgares. Mulheres inquietas e visionárias. Mulheres, heroínas da normalidade dos dias atormentados.


 Leonora Carrington
N. 1917, Lancashire, Inglaterra
M. 2011,Ciudad de México, México

Gostaria de recordar que as duas viveram duas guerras que assolaram o mundo. 


 Leonora Carrington
E nos seus olhares o caos se tornou uma mágica desordem. A beleza pode ser assim: conjuga uma harmonia entre o diurno e o nocturno.

Tenhamos a serenidade dos que contemplam, mas a acção dos fazedores de um mundo novo, no qual o medo seja apenas usado de forma luminosa para nos levar a agir contra aqueles que, na sombra, o usam para do caos reerguer nova ordem!


A cidade inteira, 1936 por Max Ernst (1891-1976, Germany) |  | ArtsDot.com
«A cidade inteira», Max Ernst


Gostaria de dizer-vos que não seremos despersonalizados e não afirmaremos, como Max Ernst, depois da guerra. De nós não falaremos na terceira pessoa:

“Max Ernst morreu em 1.º de Agosto de 1914. Ressuscitou em 11 de Novembro de 1918, na forma de um rapaz que queria ser mágico e pretendia descobrir os mitos de seu tempo”. (Wiki)


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Para ti






Vladimir Kush


Da minha mão, nasceu o poema
eterno como a luz, rápido como o vento.
No sossego da palavra, crio o alento
da verdade pura, que tornei em lema.

No céu distante, mais além de Deus,
uma alma pura de paz se incendeia
na escuridão dos passos, fio de candeia,
abraço a tua alma e os carinhos teus.

E na rocha imensa, com orvalho puro,
teu nome de amor, tão terno e tão duro,
vai aquecer no mundo, a minha alma triste

porque no Amor, só Amor criado
esquecerá no templo, junto ao ser amado,
a voz da Razão, o Destino em riste!


José M. T. Alves 


O blogue, hoje, abre-vos uma excepção. Apresenta-vos o meu marido/alma gémea de décadas. Mas...não foi a primeira vez que aqui o trouxe!

https://raraavisinterris.blogspot.com/2009/08/nao-te-quero-senao-porque-te-quero.html




segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Rumo

Alto Alentejo, 2020


A minha vida faz-se olhando a planície. As cores que se transmudam ao sabor dos dias pautam-me uma melodia íntima que não vos saberei transmitir. É uma cantata de comunhão e harmonia, de serenidade e de sonoridades que orquestram cada momento.
Vou a trabalho, pois aqueles que longe legislam não se perdem na distância e desconhecem a luminosidade que escorre da lonjura.



Alto Alentejo, 2020

As nuvens viajantes são minhas companheiras e nelas arrumei a infância. Mas reconheço o cheiro da erva cortada e esta humidade que a terra respira. Nunca estarei só, nestas paragens. Tudo se reduz na sua mesquinhez citadina, quando se espraia o olhar pelo longe do horizonte.


Alto Alentejo, 2020

A Primavera que espreita não me retira a inquietação. Eu sei o perigo que se disfarça em cada ondulado do caminho. É estreita a via. Há rumores de que novas guilhotinas se aprestam e de que rondam as sombras esquivas de novos senhoritos e inquisidores.



Alto Alentejo, 2020

Um velho leva as suas cabras. Atravessa a rua deserta. Traz-me o tempo antigo e as portas fechadas. Vou a trabalho, já to disse. Não sou a «cabrita» livre que saltitava pela aldeia da minha infância rodeada de amigas «cabritas» como eu. As avós e mães já não gritam por nós e este não é o tempo das amoras que colhíamos no largo. Agora, só o horizonte é largo e a sua vastidão grita-me a força vital que não nos abandonou, ainda...
O céu não nos cairá sobre a cabeça.


Alto Alentejo, 2020

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Teorias da conspiração ou sinais dos tempos?

Teorias da conspiração




«Umbrella Corporation (também conhecida como Umbrella, Inc., Umbrella Pharmaceutical Inc. ou Umbrella Corp.) (アンブレラ・コーポレーション) é uma empresa fictícia para série de jogos e filmes Resident Evil, fundada com o objetivo de criar armas biológicas. Ela opera sob uma espécie de monopólio no mercado mundial. A Umbrella produz produtos farmacêuticos, armamentos, computadores e outras atividades clandestinas de pesquisa biológica.

O Slogan seria "Our Business is Life Itself" ou em português "Nosso negócio é a própria vida.", outro slogan diz: Umbrella's moto have always been: "Preserving the Health of the People", ou em português: O lema da Umbrella sempre foi: "Preservando a saúde das pessoas", um terceiro slogan foi introduzido no Brasil através dá série de longa metragens de Resident Evil onde diz "Nosso negocio é a vida, fazemos tudo por você".

A Umbrella foi fundada por James Marcus, junto com o Lorde Ozwell E. Spencer, um descendente da família real inglesa, e Edward Ashford.

Na franquia de filmes a Umbrella é a principal vilã sendo comandada por Albert Wesker que perdeu o controle da empresa para a IA Rainha Vermelha que retorna em Resident Evil Retribuition.

A empresa havia saído da série de jogos, quando no começo de Resident Evil 4 o protagonista Leon narra que a empresa tinha falido, outros jogos da franquia também confirmam o acontecimento, como Resident Evil Umbrella Chronicles e Resident Evil Outbreak File #2. Em Resident Evil 6, surge uma empresa chamada Neo-Umbrella, a mesma possui Carla Radames como líder. A empresa é fortemente inspirada na Umbrella Corporation, aparecendo já formada com bases subaquáticas e grandes laboratórios.» (WIKIPEDIA)




Estranhos são os tempos, mas os sinais e símbolos instalam-se por toda a parte. São fruto dos mitos e da tentativa de os explicar. Pessoa diria, «O nada que é tudo». Daí que os símbolos me atraiam tanto.

Vivemos num tempo de realidades fraccionadas, mesmo que o conceito de Real sempre tenha sido a inquietação filosófica por excelência. As preocupações são, por isso, crescentes. Entranham-se os símbolos, modifica-se a realidade aparente, mas é nela que habitamos.

O tempo do «eu» é de uma perigosidade enorme: eu posso; eu mereço; eu quero; eu vou; eu tenho...o individualismo pós-moderno, pós-ocidental, pós-humanista exportado através de todo o tipo de indústrias que alimentam o grosso ventre das sociedades consumistas - à margem de ideologias que se esfumam.

O «eu» observa-se a si próprio, esquecendo-se da sua natureza de animal social, tal como o definiu Aristóteles. Os resultados estão à vista!




Nota: lá vou eu ter que apagar mais um comentário do movimento, dito, pós-humanista. Estes comentários são frequentes por aqui, bem como os convites. Calma, a minha geração leu Nietzche na adolescência e sabe muito bem que não somos todos hiperbóreos.