Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

DIA QUATRO

Al - Andalus




                                                  







http://pt.wikipedia.org/wiki/Al-Andalus
http://www.libreria-mundoarabe.com/Boletines/n%BA68%20Feb.09/AndalusiesMudejaresMoriscos.htm

AL -ANDALUS

 Oito séculos de civilização a que pertencemos. Oito séculos que comungamos, ibéricos como nós.
Os meus olhos claros? A minha pele descorada? 
Ana, como se chamou sempre a neta mais velha na minha família e se continua a chamar a neta mais velha da nova geração... não sabias?
Que sabes do Al - Andalus?  
Pensas que tudo começou no norte de África...terás que olhar um pouco mais além este Al - Andalus germinado, talvez, na Pérsia  e embrião do Renascimento.

três culturas

 José ouve-me. É culto, tolerante, mas nasceu no extremo norte...

- Traz-me uns «pescaítos» fritos, por favor.

Ana

Obrigada, LUNA!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

DIA TRÊS


Querida Luna:
Estás por estas horas nos U.S.A., mas penso em ti. A tua índole boa e justa, a suavidade com que olhas o mundo.
Escreves tão bem na minha Língua lusa!
Imagino-te aqui, nestes rostos de mulher e evoco uma velha balada gasta aí pelo Mediterrâneo: Adiós, querida Luna...
Amiga de tantos rostos que essa bela palavra encerra, melodiosa e breve: Luna!
Hoje só ouvirei a melodia da Língua.
Castelhano que canta, som de guitarras dedilhadas que me vão embalando até ao sono.
Adiós, querida Luna.


Ana

Festa Andaluza - José Alves/2010



     








sábado, 14 de agosto de 2010

DIA DOIS

Andaluzia - José Alves/2010
 

ISLA CRISTINA OU DE LA HIGUERITA


 Agradece aos meus antepassados lusos mortos na Lisboa de 1755, quando um tsunami varreu a capital do império e D. João V partira há um lustre apenas, a solidez desta língua de terra consolidada sobre o clamor do pranto.
Talvez por isso me digas «Buenos días» sem saberes quem sou nesta minha pele branca que te confunde as origens. Valham-me tantos nórdicos trazidos pelo deus dinheiro, nesta última cruzada por um lugar ao sol. Que importa?
Pensas que não sei?
Como tu conheço bem a origem da aceifa árabe, como tu comungo os versos de Manuel Machado:

 Yo soy como las gentes que a mi tierra venieron
 Soy  de la raza mora, vieja amiga del sol...
Que todo lo ganaron y todo lo perderon
Tengo el alma de nardo del arabe español.


Ana

terça-feira, 10 de agosto de 2010

DIA UM

Costa Andaluza/José Alves - 2010

Trouxemos aqui os corpos cansados: «Andalúcia, tierra caliente»!
Fremente de vida, castelhano falado alto, cantado... «Oásis» merece o nome: o mar, a uma centena de metros, beija um areal imenso, sem rochas, último espraiar atlântico; o friso de pinheiras altas espreita o mediterrâneo e deixa um chão de chocolate adocicando o azul intenso deste céu; o resto fez o homem, com a arte da jardinagem, na construção de pequenos paraísos hispano - árabes ... Oásis.
 Trouxemos aqui os corpos cansados e lassos de calor seco e violento.
 Pausa nestes dias «calientes».
Só  um vendedor clandestino se acerca e te oferece peixe. Percebe, subitamente, a tua origem e cospe:
 - Mierda de Portugués!

  Andaluzia/José Alves - 2010

Ana