Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

DIAS DEPOIS...

Infojardim.com

Hoje caminharemos a pé. O Verão declina. Os corpos amolecem. Pátios maravilhosos nos esperam.


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Amo gerânios,  que me falam de territórios familiares. Cheiro intenso, feito de um sol a pique. Fortes, quando tantos desistem - gerânios de cor e coragem.

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Reconheço cores e formas e pasmo de tanta memória, nesta beleza antiga e agreste.

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 Pouco mais há dizer, não me peças poemas. Surgirão, esses, um dia, feitos de lembrança e tecidos de rotina.

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Agora, deixa-me apenas fruir e incorporar-me nesta tarde morna, rendilhada de gerânios e de memórias.




Quero deixar assim este Al - Andalus que me devolveu um pouco da identidade que perderei, contidamente,  nos dias mais cinzentos.

Ana


«Te quiero Andalúcia !»


domingo, 5 de setembro de 2010

SETE


سبعة
 
Sete é um número belo como os mitos antigos. Escolherei esse número para afastar a nuvem negra que nos chega de Sul, arenosa e quente.
Sete é um número árabe, como são árabes os números que usamos. Pois, sei bem...dirás que são indo - arábicos, mas que importa? São números.
Sete!
Não o enchas de virtudes e de pecados. Desenha-o belo, floreado, dourado...se souberes.
A nuvem não é nossa, há-de regressar às origens mais remotas..
Sete soltas notas musicais suavizarão estes ares.
A nuvem pingou, passou e África já não espreita.
Sete Reis mouros partiram, rumaram de Alexandria a Creta e assombram, por ora, os mares.
Esplendor e ruína, assim segue sendo.
Ana

Creta - José Alves/08

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

DIA SEIS - gastronomias

Beringelas - Wikimédia
Assim saberemos que estamos em casa. 
Tudo me fala de um hábito antigo, conhecido na mesa da avó Ana: beringelas fritas com ovo; lentilhas; estas sardinhas abertas e panadas; o divinal gaspacho ...
Avó Ana, foste sempre o meu prumo!
Caminhamos a pé até ao monte. O teu vulto negro de viúva. O meu vulto branco de menina.
A três quilómetros, no calor, o monte é uma miragem. A paisagem plana ilude-nos.
Em noventa anos de vida, nunca tiraste as meias, apesar da inclemência do sol. Morena, de olhos negros, as tuas pernas  eram branquinhas.
- Vamos, vó, as suas beringelas, ali no jardim, têm um cheirinho tão bom!
O avô era loiro, de olhos azuis, alto...muito alto. Quando me erguia nos ombros, o mundo alargava. O avô morreu e eu fiz-te companhia. Era a única neta, nessa época, a neta mais velha...todavia, todos os primos eram mais velhos que eu. Contraditória a vida.
Hoje comerei beringelas.

Comer é [há-de ser sempre] divino, como nos ensinou Confúcio.

Ana

domingo, 29 de agosto de 2010

DIA CINCO - O Triângulo

Alhambra - google images

Inebriemo-nos no triângulo: Granada, Málaga, Córdova.
O sonho encherá a Alhambra de artistas esclarecidos.
Lá fora as escaramuças continuam. Do Calpe, as novas trazem ventos do deserto. De Covadonga, godos decadentes reorganizam investidas. Carlos Magno claudicou nos Pireneus (ali onde repousa Pirene a amada de Hércules) e poetas nocturnos eternizam estas gestas.
Desperto para a beleza dos lugares.
- Mira, tantos alemanes!
Os godos estão de volta e nós havemos de ir às Astúrias, numa próxima partida. Covadonga já nos aguarda. A busca há-de ser multifacetada, sempre.
Na História não há hiatos.


Ana

Alhambra - google images