Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

domingo, 28 de outubro de 2018

Cega e Paralisa


Portinari, Guerra e Paz, ONU



No ano de 1940, um grande poeta brasileiro, escrevia um poema intemporal a que deu o sábio título de «Congresso Internacional do Medo». Imperioso lê-lo, hoje, quando o mundo se agita em desequilíbrios de toda a ordem e no momento em que muitas sombras espreitam. 
O Medo cega e paralisa a consciência humana.



Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.


                                                        Carlos Drummond de Andrade


Portinari FB Mão - Estudo Guerra e Paz
Cândido Portinari, A Construção de uma Mão



“Não, essa ameaça da barbárie fascista não desapareceu totalmente. Por isso, apelamos sempre para uma verdadeira insurreição pacífica contra os meios de comunicação de massas, que, como horizonte para os nossos jovens, só sabem propor o consumo de massas, o desprezo pelos mais fracos e pela cultura, a amnésia generalizada e a competição desenfreada de todos contra todos. A todos aqueles e aquelas que construirão o século XXI, dizemos com carinho: criar é resistir. Resistir é criar”.


Stéphane HESSEL, Indignai-vos!, 2010

sábado, 29 de setembro de 2018

«Janela do Caos»


O amor em tempos de caos Jan Toorop ( Johannes Theodorus Toorop )
 1858 - 1928 Holandês pintor indonésio simbolismo 


Harmonia do terror
Quando a alma destrói o perdão
E o ciclo das flores se fecha
No particular e no geral:
Nenhum som de flauta,
Nem mesmo um templo grego
Sobre colina azul
Decidiria o gesto recuperador.
Fome, litoral sem coros,
Duro parto da morte.
A terra abre-se em sangue,
Abandona o branco Abel
Oculto de Deus.


(mestre da poesia brasileira) Murilo Mendes, «Janela do Caos»



Indonésia, hoje, Estadão








domingo, 23 de setembro de 2018

Primeiro dia

Lago de Zurique, 2018 - José Alves


Trago, ainda, no olhar o reflexo benigno do Zürichsee e tombo num mundo às avessas. Incrédula, neste primeiro dia...


«Dois dias de aulas, dois esfaqueamentos em escolas. Segundo avança a TVI24, um aluno de uma escola de Ponte de Sor foi atacado por um colega, nesta terça-feira. O agressor, de 18 anos, foi detido pela GNR.
Um adolescente de 16 anos foi esfaqueado por um colega, na manhã desta terça-feira, na Escola Secundária de Ponte de Sor.» (PT, Jornal)

Meus alunos, meus alunos...no intervalo da minha aula, que semente de violência germinou?

Ana



sábado, 8 de setembro de 2018

Há Lugares

Rio Limmat, 2018 - José Alves


Há lugares onde os rios não correm para o mar.


Suíça, 2018 - José Alves


Há lugares onde os  sonhos ancoraram e a diversidade se instalou.



Zurique, 2018 - José Alves


Há lugares a que retornamos quando o Amor nos impele.


Rio Limmat, 2018 - José Alves


Há lugares de um brilho que a chuva de Agosto não pode ofuscar.


Suíça, José Alves - 2018


Há lugares de um degelo tão puro que a vida principia.


Suíça, 2018 - José Alves


Há lugares de minúcia que nos beijam e acolhem.


Lago Zurique, 2018 - José Alves



Há lugares onde o fruto do nosso Amor se instalou.



sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Rumos

José Alves, 2018


Só fui onde o coração me levou...


José Aves, 2018



...e voltei.