Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

domingo, 25 de abril de 2021

Com Fúria e Raiva

 

                                                           

Fonte: https://www.abrilabril.pt

                                                   

Com fúria e raiva acuso o demagogo                                            

E o seu capitalismo das palavras

 

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada

Que de longe muito longe um povo a trouxe

E nela pôs sua alma confiada

 

De longe muito longe desde o início

O homem soube de si pela palavra

E nomeou a pedra a flor a água

E tudo emergiu porque ele disse

 

Com fúria e raiva acuso o demagogo

Que se promove à sombra da palavra

E da palavra faz poder e jogo

E transforma as palavras em moeda

Como se fez com o trigo e com a terra


1977. Sophia de Mello Breyner Andresen, O Nome das Coisas,

Moraes Editores

17 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...

Com Raiva e Fúria
mas também
com a persistente calma
de quem assumiu a missão
de passar a palavra

J.P. Alexander disse...

Bello poema para pensar. Los politicos en especial los politicos corruptos. Te mando un beso

Majo Dutra disse...

Há muito que não lia este poema de Sophia de Melo Andresen.
A poeta da paz sem vencedores nem vencidos, não era muito dada a escessos, mas o tema que tanto a incomodou é sempre atual, infelizmente.
Grata por o trazer à luz.
Boa semana, querida amiga. Beijinhos
~~~~~~

Maria João Brito de Sousa disse...

De todos os belíssimos poemas de Sophia, este é o meu favorito.

Forte abraço, Ana!

chica disse...

Sophia maravilhosa em mais essa poesia! Linda! Faz pensar...Quantas vezes assim estamos... beijos, chica

Majo Dutra disse...

Quis dizer que a Poeta ''não era muito dada a excessos''
Lamento a falha ortográfica. Beijinho
~~~

Fê blue bird disse...

Amiga Ana,
Não podias ter escolhido melhor grito !

Um beijinho solidário.

Tanza Erlambang disse...

forceful words to "demagogue"....

Have a wonderful spring

São disse...

Excelente maneira de comemorar a nossa libertação!


Beijinho, Ana, bom resto de semana.

VIVA ABRIL!!

Jaime Portela disse...

Os ditadores são exímios no uso manipulador das palavras.
Este poema da Sophia é brilhante. Como quase tudo o que ela escreveu.
Bom fim de semana, amiga Ana.
Beijo.

Lúcia Soares disse...

Boa tarde 😘🌸 tudo lindo ❤️

silvioafonso disse...

Esses caras fazem o que querem
com as palavras. Cruz credo!
Beijos e beijos, muitos.

Jornalista Douglas Melo disse...

Ana,
“Libertas quæ sera tamen!” (“Liberdade ainda que tardia!”), é a tradução mais exata de liberdade (aqui no “Brasil”), pois, antes tarde do que nunca.
O clamar pela liberdade é pedra fundamental de uma sociedade conscientemente livre e nós, brasileiros e portugueses tão bem sabemos disso.
Beijos e cuide-se bem!!!

Olinda Melo disse...


Infelizmente, verifica-se que a manipulação
das palavras faz-se em qualquer tempo,
mesmo depois de conhecida a palavra
"Liberdade".

Belo Poema de Sophia. Um grito de revolta.

Querida Ana, desejo-te um bom fim de semana.
Beijo
Olinda

© Piedade Araújo Sol disse...

Um escolha perfeita a assinalar o 25 de Abril.
Gostei de ler.
Feliz dia da mãe e domingo cheio de saúde e paz.
Obrigada pela visita.
Beijinhos
:)

Graça Pires disse...

Sophia sempre a dizer o que era certo, como neste poema, que é um grito, uma revolta, na verdadeira "inteireza da palavra" que só ela sabia.
Uma boa semana com muita saúde.
Um beijo.

Luiz Gomes disse...

Feliz dia das Mães. com muita paz e saúde.