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| Bettina Baldassari |
Olha, no céu plúmbeo, uma pombavoa serena sobre o verde e as flores.
Anda, retira de tua alma as dores
e aspira o polén de vida que tomba.
Que tomba da corola solene e bela
e perfuma o cinzento de silêncio e ar!
Leva doçura à alma eleita para amar,
traça, com tuas mãos, a felicidade singela.
Singela na beleza e o seu raio inunda
a alma triste onde a saudade dói...
com ecos de lonjura, fera e rotunda!
Plúmbeo o céu, o Sol, o cinzento destrói.
E não temas, tu és a razão profunda...
Ama! Pois, afinal, a vida se constrói.
Ana Tapadas, Sul Sereno, editora Europa, 2024, p. 38